Tibolona (Livial): para que serve e quando é uma boa opção na menopausa
Tibolona engorda, aumenta a libido ou causa câncer? Efeitos, riscos e quem pode usar
Resumo rápido
- A tibolona (Livial e genéricos) é um esteroide sintético que age como estrogênio, progestagênio e androgênio.
- Trata fogachos e secura vaginal na pós-menopausa e, em casos selecionados, previne osteoporose.
- Na menopausa natural, começa só 12 meses após a última menstruação; dispensa progesterona separada.
- Alivia os fogachos um pouco menos que o estrogênio com progestagênio, com menos sangramento.
- Não serve após câncer de mama, AVC ou trombose; depois dos 60 anos, o AVC pesa contra.
Imagine uma mulher de 54 anos, há três anos sem menstruar, com fogachos que atrapalham o sono e pouco desejo sexual. Uma amiga garante que a tibolona é melhor: um comprimido só, sem progesterona, e ainda aumenta a libido. Ela quer saber para que serve a tibolona e se vale a troca.
A tibolona é reposição hormonal, com vantagens reais e riscos próprios.
Quem tem indicação de reposição está em reposição hormonal na menopausa, e os primeiros passos, em como iniciar a reposição hormonal.
Sintomas, opções com e sem hormônio e acompanhamento estão reunidos na página sobre o tratamento da menopausa com endocrinologista em São Paulo.
O que Você Precisa Saber
É reposição hormonal, não produto natural. O corpo transforma a tibolona em derivados com ação de três hormônios.
Tem hora para começar. Na menopausa natural, só 12 meses ou mais depois da última menstruação.
Dispensa a progesterona, não a vigilância do útero. Sangramento depois dos primeiros 6 meses pede investigação.
Idade e mama definem o risco. Depois dos 60 anos, pesa o AVC; após câncer de mama, a doença voltou mais.
O que é a tibolona: uma chave que abre três fechaduras
Costumo explicar assim: hormônios são chaves, e os receptores das células, fechaduras. A tibolona é uma chave que, engolida, vira três: o corpo a transforma em derivados que abrem as fechaduras do estrogênio, da progesterona e da testosterona.
esteroide sintético usado na pós-menopausa. Depois de absorvida, gera derivados com efeitos de estrogênio, de progestagênio e de androgênio, o grupo de hormônios da testosterona.
Pela Sociedade Australasiana de Menopausa (AMS), o efeito de estrogênio aparece sobretudo no cérebro, no osso e na vagina; no endométrio, a camada interna do útero, a ação de progestagênio impede o crescimento excessivo; e o efeito androgênico deixa mais testosterona livre.
No Brasil, há tibolona 2,5 mg (Livial e genéricos) e tibolona 1,25 mg (Libiam), com receita. Dose, troca e suspensão são decisões com o médico.
Para que serve a tibolona
Pelas bulas brasileiras, serve para os sintomas da falta de estrogênio na pós-menopausa, como fogachos e secura vaginal, e para prevenir osteoporose com alto risco de fratura quando outros remédios não podem ser usados.
Fogachos. Numa revisão Cochrane de 2016, com 46 ensaios e quase 20 mil mulheres, a tibolona aliviou os fogachos bem mais que o placebo e um pouco menos que o estrogênio com progestagênio.
Osso.
No estudo LIFT, 4.538 mulheres de 60 a 85 anos com osteoporose usaram tibolona 1,25 mg ou placebo por cerca de três anos. A tibolona diminuiu as fraturas vertebrais em 45% e as não vertebrais em 26%, mas o AVC ficou 2,19 vezes mais frequente, e o estudo parou antes do previsto.
Perceba o paradoxo: o benefício apareceu na idade em que o AVC pesa contra. Ao parar, diz a bula, o osso volta a ser perdido; veja osteopenia na menopausa.
Libido. A fama vem do efeito androgênico, mas a evidência é modesta. No estudo LISA, com 403 mulheres na pós-menopausa com disfunção sexual, a tibolona e o estradiol com noretisterona pela pele aumentaram as relações satisfatórias, sem diferença entre os dois. Veja testosterona e libido na menopausa.
Para quem é indicada e por que dispensa a progesterona
Pela bula, na menopausa natural, a tibolona começa pelo menos 12 meses depois da última menstruação; na cirúrgica, pode começar logo. Antes disso, tende a causar sangramento irregular, aponta a AMS. Depois dos 60 anos, deixa de ser boa opção: a bula pede pesar o risco de AVC, e a diretriz europeia de endocrinologia (ESE, 2025) registra a mesma preocupação.
Sem progesterona separada. Com estradiol, quem tem útero precisa de progestagênio, como explico em progesterona na reposição hormonal. Com tibolona, a bula orienta não acrescentar progestagênio, porque ela já tem esse efeito no útero.
crescimento excessivo da camada interna do útero. A forma atípica pode evoluir para câncer.
No estudo THEBES, com 3.240 mulheres, a frequência de hiperplasia ou câncer do endométrio foi de 0,0% com tibolona e de 0,2% com estrogênio conjugado e medroxiprogesterona.
Riscos: mama, endométrio, AVC e trombose
Câncer de mama. Os dados são conflitantes. No LIFT, houve menos câncer de mama com tibolona. No Million Women Study, coorte britânica com mais de 1 milhão de mulheres de 50 a 64 anos, o risco nas usuárias atuais foi 45% maior com tibolona e o dobro com estrogênio com progestagênio. A bula estima cerca de 3 casos a mais por 1.000 usuárias de 50 a 65 anos em 5 anos; veja mamografia e reposição hormonal.
No estudo LIBERATE, 3.148 mulheres operadas de câncer de mama e com fogachos usaram tibolona 2,5 mg ou placebo. Em cerca de três anos, a doença voltou em 15,2% com tibolona e em 10,7% com placebo, um risco 40% maior, e o estudo foi interrompido.
Para quem já teve câncer de mama, há alternativas sem hormônio em menopausa sem hormônios.
Endométrio. No LIFT, foram 4 casos de câncer de endométrio com tibolona e nenhum com placebo, sem significância estatística; no Million Women Study, 79% mais casos com tibolona. Por isso, pela bula, sangramento que persiste após 6 meses, surge depois disso ou continua após parar pede investigação.
AVC. Pela bula, em 5 anos, são cerca de 4 AVCs a mais por 1.000 mulheres de 50 a 59 anos e cerca de 13 a mais por 1.000 de 60 a 69 anos: mais que o triplo.
Trombose e coração. No LIFT, a trombose não aumentou; pela bula, um pequeno aumento não pode ser excluído, e não há proteção comprovada contra infarto.
Tibolona ou estrogênio com progestagênio?
| Aspecto | Tibolona | Estrogênio com progestagênio |
|---|---|---|
| Fogachos (Cochrane) | Alivia, um pouco menos | É o mais eficaz |
| Sangramento inesperado (Cochrane) | Menos frequente | Mais frequente |
| Osso | Menos fraturas vertebrais e não vertebrais (LIFT) | Previne a perda óssea |
| Câncer de mama (Million Women) | 45% maior | O dobro |
| AVC | Mais que dobrou entre 60 e 85 anos (LIFT) | Cresce com a idade e a dose |
| Endométrio | 0,0% de hiperplasia no THEBES; 79% mais câncer no Million Women | Sem aumento com o esquema contínuo (Million Women) |
| Libido (LISA) | Melhora parecida | Melhora parecida |
Na minha visão, abaixo dos 60 anos, o estradiol, de preferência pela pele, com progesterona quando há útero, segue como primeira escolha; veja estradiol em gel, adesivo ou comprimido. A tibolona é alternativa razoável para quem está há mais de um ano sem menstruar e sangra com o esquema combinado ou prefere um comprimido único.
O que dizem as diretrizes
- ESE (2025): ressalva a volta do câncer de mama e o AVC após os 60 anos; vê dados limitados sem aumento de trombose.
- NICE (Reino Unido, abril de 2026): sem recomendação específica sobre tibolona.
- Estados Unidos: não é aprovada; em 2006, a FDA recusou o registro.
Efeitos colaterais, peso e quem não deve usar
Pela bula, os efeitos comuns, entre 1 e 10 de cada 100 usuárias, incluem dor no baixo-ventre, aumento de pelos, corrimento, sangramento vaginal, coceira genital, sensibilidade nas mamas e aumento de peso; veja reposição hormonal engorda?
Pela bula, é contraindicada em quem tem ou teve:
- câncer de mama ou outro tumor dependente de estrogênio;
- sangramento genital sem diagnóstico ou hiperplasia do endométrio não tratada;
- trombose venosa, embolia ou trombofilia conhecida;
- infarto ou AVC;
- doença do fígado aguda, ou anterior com exames ainda alterados;
- porfiria, gravidez ou amamentação.
É um comprimido por dia, no mesmo horário; esquecido, toma-se em até 12 horas, sem dobrar. Falta de ar súbita ou fraqueza de um lado do corpo pedem atendimento imediato. A bula pede a menor dose eficaz pelo menor tempo possível, e a continuidade é reavaliada a cada ano; veja com que frequência consultar o endocrinologista.
Principais Pontos
Erros Comuns
Perguntas Frequentes
- Para que serve a tibolona (Livial)?
Pela bula, para aliviar fogachos, secura vaginal e outros sintomas da falta de estrogênio na pós-menopausa e para prevenir osteoporose com alto risco de fratura quando outros remédios não servem. Na menopausa natural, começa 12 meses ou mais depois da última menstruação; dispensa progesterona separada e não serve após câncer de mama, AVC ou trombose.
- Tibolona ou estradiol: qual é melhor?
Depende do caso. Na revisão Cochrane, o estrogênio com progestagênio aliviou mais os fogachos, e a tibolona causou menos sangramento. Na minha visão, abaixo dos 60 anos, o estradiol pela pele, com progesterona se há útero, é a primeira escolha; a tibolona serve a quem sangra com o esquema combinado ou prefere um comprimido só.
- Tibolona engorda?
Pode, em parte das mulheres: na bula, o aumento de peso está entre os efeitos comuns, que atingem de 1 a 10 de cada 100 usuárias. Se o peso subir, o esquema é revisto com o médico, sem parar por conta própria, e as outras causas do ganho de peso da meia-idade entram na avaliação.
- Tibolona aumenta a libido?
Pode ajudar, mas menos do que a fama sugere. No estudo LISA, com 403 mulheres na pós-menopausa com disfunção sexual, a tibolona e o estradiol com noretisterona pela pele aumentaram as relações satisfatórias, sem diferença entre os dois. Para a Sociedade Australasiana de Menopausa, a evidência não é forte. Dor, secura, sono e humor também pesam.
- Tibolona pode causar câncer de mama?
Os dados são conflitantes. No Million Women Study, o risco foi 45% maior com tibolona e o dobro com estrogênio com progestagênio; no LIFT, houve menos câncer de mama. A bula estima cerca de 3 casos a mais por 1.000 usuárias de 50 a 65 anos em 5 anos. Após câncer de mama, é contraindicada.
- Tibolona pode causar trombose?
Nos estudos, não houve aumento claro: no LIFT, foram 5 casos com tibolona e 9 com placebo, e a diretriz europeia de endocrinologia (ESE, 2025) vê dados limitados sem aumento. A bula diz que um pequeno aumento não pode ser excluído e contraindica a tibolona após trombose. Já o AVC aumentou no LIFT.
- Tibolona pode causar sangramento?
Pode, sobretudo nos primeiros 3 a 6 meses, segundo a bula. Ainda assim, causa menos sangramento que o esquema combinado: no THEBES, 71,4% das mulheres com tibolona 2,5 mg não sangraram em todo o tratamento, contra 44,9%. Sangramento que persiste após 6 meses, surge depois disso ou continua após parar precisa de investigação.
- Tibolona pode ser usada na perimenopausa?
Em geral, não. Pela bula, na menopausa natural, ela começa só 12 meses ou mais após a última menstruação; antes disso, tende a causar sangramento irregular. Na menopausa cirúrgica, pode começar logo. Na perimenopausa, quando há indicação de reposição e útero, costuma-se usar estrogênio com progestagênio em esquema cíclico, definido com o médico.
Avalie a reposição hormonal com orientação individual
Consulta presencial: agende sua consulta com o Dr. Rodrigo Bomeny no Instituto Aster (Campo Belo) ou no Hospital Israelita Albert Einstein (Perdizes), em São Paulo.
Cuide da sua saúde com orientação individual
Telemedicina: se você está em outra cidade ou prefere atendimento remoto, conheça a consulta por telemedicina, quando apropriado.

Referências
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- Formoso G, Perrone E, Maltoni S, et al. Short-term and long-term effects of tibolone in postmenopausal women. Cochrane Database Syst Rev. 2016;10:CD008536. doi:10.1002/14651858.CD008536.pub3.
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- Australasian Menopause Society. Tibolone as menopausal hormone therapy. Information sheet. 2018.
- Bulas brasileiras de tibolona 2,5 mg (Livial; Organon) e tibolona 1,25 mg e 2,5 mg (Libiam; Libbs). Consultadas em novembro de 2026.
