A testosterona é um hormônio essencial para a saúde do homem, influenciando a função sexual, a massa muscular, o humor, a energia e muito mais. Nos últimos anos, observou-se uma queda global nos níveis de testosterona, afetando não apenas homens mais velhos, mas também os jovens. Estima-se que 12% dos homens entre 40 e 60 anos tenham andropausa, e essa prevalência ultrapassa 50% após os 80 anos.
O que é Hipogonadismo?
O hipogonadismo é uma condição em que o organismo masculino não produz testosterona suficiente. Ele pode ser:
Primário (hipergonadotrófico): falha nos testículos
Secundário (hipogonadotrófico): disfunção no eixo hipotálamo-hipófise-testículos
Como a Testosterona é Produzida
A testosterona é produzida a partir do colesterol, principalmente pelos testículos. O LH estimula as células de Leydig a produzirem testosterona, enquanto o FSH age nas células de Sertoli para estimular a espermatogênese.
Ela pode se converter em:
DHT (di-hidrotestosterona): mais potente, relacionada à calvície e acne
Estradiol: importante para osso, libido e metabolismo
Queda Natural e Zona Cinzenta
A partir dos 40 anos, ocorre uma redução natural de cerca de 1% ao ano na testosterona total. Abaixo de 280-320 ng/dL, já pode ser considerada deficiência androgênica (DAEM). Entre 320 e 400 ng/dL, temos uma zona cinzenta que exige avaliação individual.
Sintomas da Testosterona Baixa
Sexuais (mais específicos):
Queda da libido
Ereção matinal reduzida
Menor rigidez e duração da ereção
Piora do orgasmo e volume ejaculado
Não sexuais (inespecíficos):
Fadiga
Alteração de humor
Dificuldade de concentração e memória
Alteracões do sono
Diagnóstico
Testosterona total (manhã, jejum)
Testosterona livre (direta ou calculada)
SHBG, LH, FSH, estradiol, prolactina
Avaliação clínica e sintomas
Fatores Modificáveis que Impactam a Testosterona
Sono de qualidade
Gerenciamento do estresse
Atividade física, especialmente musculação
Dieta rica em nutrientes e controle de peso corporal
Relação com SHBG: influenciado por estrogênio, cortisol, tireoide e insulina
Estradiol: Vilão ou Aliado?
O estradiol é essencial para a saúde óssea, libido e perfil lipídico. Excesso de gordura aumenta a aromatização (conversão de testosterona em estradiol), o que pode causar ginecomastia. É importante manter a relação testosterona/estradiol em torno de 15:1. Bloquear demais o estradiol (com anastrozol, por exemplo) pode ser prejudicial.
DHT: Força e Riscos
O DHT é importante, mas está relacionado à calvície. Medicamentos como finasterida reduzem sua produção, podendo causar efeitos colaterais sexuais em alguns casos. A Síndrome Pós-Finasterida é discutida, embora ainda controversa.
Tratamentos Disponíveis
Estimuladores da produção endógena ("fertility friendly"):
Clomifeno
HCG
Reposição Exógena (TRT):
Injetáveis de curta duração (cipionato, blend)
Injetáveis de longa duração (undecilato)
Gel transdérmico
No Brasil, as opções são mais limitadas em comparação aos EUA.
Monitoramento da TRT
Testosterona total e livre
Hematócrito/hemoglobina
Estradiol
SHBG
PSA
Avaliação cardiovascular e prostática
O ideal é iniciar com vias de curta duração para ajustar doses com maior segurança.
TRT é Segura?
Estudos antigos sugeriram risco cardiovascular aumentado. Porém, o estudo TRAVERSE (2023) mostrou que a TRT é segura mesmo em homens com risco cardiovascular moderado a alto. Em relação à próstata, estudos recentes mostram que a TRT não aumenta o risco de câncer.
Impacto na Qualidade de Vida
Pacientes relatam melhora significativa na energia, humor, memória, libido e bem-estar geral. Muitos descrevem a experiência como "voltar a enxergar o mundo colorido".
Considerações Finais e Cuidados Éticos
Evitar automedicação e substâncias manipuladas sem avaliação médica
Transparência com o paciente sobre riscos, benefícios e limitações
Terapia hormonal é ferramenta poderosa, mas não é uma solução milagrosa
Se você apresenta sintomas descritos ou tem dúvidas sobre seus níveis hormonais, converse com seu endocrinologista. A avaliação individualizada é essencial para um tratamento seguro e eficaz.
Agende sua consulta com endocrinologista especialista em diabete e obesidade e recupere sua saúde hormonal.