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Síndrome metabólica: avaliação e tratamento com endocrinologista em São Paulo


Síndrome Metabólica

Tratamento da síndrome metabólica: critérios, exames, alimentação, remédios e acompanhamento

Resumo rápido

  • Síndrome metabólica é ter 3 de 5 sinais: cintura, triglicérides, HDL, pressão e glicose fora do corte.
  • Para sul-americanos, o critério harmonizado conta a cintura a partir de 90 cm no homem e 80 cm na mulher.
  • A raiz é a resistência à insulina; o risco cardiovascular dobra, e o de diabetes tipo 2 fica cinco vezes maior.
  • A base do tratamento: low carb, movimento, sono e perda de 5% a 10% do peso.
  • Remédios entram por componente, quando indicados.

Imagine uma mulher de 47 anos com cintura de 86 cm, triglicérides de 178 mg/dL, HDL de 46 mg/dL e pressão de 132 por 84. Cada laudo diz "levemente alterado". Juntos, são quatro dos cinco critérios da síndrome metabólica.

Não é uma doença a mais na lista: é o retrato de um corpo que faz força para manter a glicose no lugar.

O que Você Precisa Saber

É um padrão, não um exame. Sinais "um pouco alterados", somados, fecham o diagnóstico.

A raiz é a resistência à insulina. Costumo explicar assim: a insulina é a chave que abre as células para a glicose; na resistência, a fechadura emperra, e o pâncreas fabrica mais chaves.

O risco é silencioso. Pela declaração internacional de 2009, a síndrome dobra o risco cardiovascular em 5 a 10 anos e multiplica por cinco o de diabetes tipo 2. No Brasil, atinge 38,4% dos adultos.

É reversível, sobretudo no início. Com menos gordura no abdome e no fígado, todos os componentes melhoram.

Os 5 critérios da síndrome metabólica

Definição rápida
Síndrome metabólica

três ou mais dos cinco sinais abaixo; estar em tratamento para o item também conta.

Critério Ponto de corte
Cintura, na população sul-americana 90 cm ou mais no homem; 80 cm ou mais na mulher
Triglicérides 150 mg/dL ou mais
HDL Abaixo de 40 mg/dL no homem; de 50 na mulher
Pressão arterial 130 por 85 mmHg ou mais (basta um dos números)
Glicose de jejum 100 mg/dL ou mais

Esses cortes são do critério harmonizado de 2009, da Federação Internacional de Diabetes (IDF), da American Heart Association (AHA), do NHLBI e de outras entidades. Os 102 e 88 cm de muitos laudos vêm do critério americano mais antigo, o NCEP-ATP III.

Quando procurar um endocrinologista

  • Dois ou mais critérios, mesmo sem o diagnóstico fechado.
  • Glicose de jejum de 100 a 125 mg/dL ou glicada de 5,7% a 6,4% (pré-diabetes).
  • Cintura acima da metade da altura ou gordura no fígado no ultrassom.
  • Manchas escuras no pescoço e nas axilas (acantose nigricans).
  • Ovários policísticos, diabetes na gestação ou diabetes tipo 2 na família.
  • Ganho de cintura após corticoide ou alguns antipsicóticos.

Como é a avaliação

Conversa e exame. Família, remédios, álcool, sono e ciclo menstrual; peso, altura, cintura, pressão e pele.

Exames, conforme as diretrizes:

  • glicose de jejum e glicada; no pré-diabetes, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD, 2025) indica a curva glicêmica;
  • perfil lipídico;
  • TGO, TGP e plaquetas, para o FIB-4, que estima fibrose se há gordura no fígado;
  • creatinina com taxa de filtração, que entra no escore PREVENT, adotado pela diretriz brasileira de dislipidemias de 2025;
  • na pré-hipertensão, MAPA ou MRPA, pela diretriz brasileira de hipertensão de 2025; veja MAPA de 24 horas.

O que não é rotina. Insulina de jejum e HOMA-IR não são critérios, e a Associação Americana de Diabetes (ADA) não os recomenda de rotina; veja insulina alta com glicose normal. O ácido úrico entra com gota, cálculo ou doença renal.

A primeira consulta dura cerca de 60 minutos, presencial no Instituto Aster (Campo Belo) ou no Hospital Israelita Albert Einstein (Perdizes), em São Paulo, ou por telemedicina, quando apropriado.

Tratamento: a causa primeiro, os componentes depois

Na minha visão, não existe equilíbrio, existe prioridade: primeiro, a gordura do abdome e do fígado; depois, o componente que seguir fora da meta.

Alimentação. Sempre low carb: menos de 130 g de carboidrato por dia, ou de 26% a 45% das calorias, referência da SBD. O prato: metade do prato de proteína, um pouco mais de um quarto de vegetais e legumes, menos de um quarto de carboidrato e gordura na medida do sabor, não à vontade. Veja se a dieta low carb funciona.

Alerta de segurança. Quem usa insulina, sulfonilureia ou inibidor de SGLT2 precisa ajustar a medicação com o médico ao reduzir carboidrato, pelo risco de hipoglicemia e de cetoacidose euglicêmica.

Movimento, sono e emoções. Ao menos 150 minutos de aeróbico por semana, força duas a três vezes e sete horas de sono; ronco alto pede investigar apneia. No tratamento, sempre priorizo trabalhar em conjunto com nutricionista, psicólogo e educador físico.

Peso. Perder de 5% a 10% do peso melhora glicose, triglicérides, HDL e pressão. No estudo DPP, perder cerca de 7%, com 150 minutos semanais de atividade, reduziu em 58% os casos de diabetes.

Remédios, por componente:

Opção Para quem O que esperar
Metformina (Glifage) Pré-diabetes de maior risco (menos de 60 anos, IMC de 35 ou mais, diabetes gestacional prévio); diabetes tipo 2 31% menos diabetes no DPP
Semaglutida (Ozempic, Wegovy) ou tirzepatida (Mounjaro) IMC de 30 ou mais, ou de 27 com doença associada; diabetes tipo 2 Com pré-diabetes, 1,3% evoluíram para diabetes em cerca de três anos com tirzepatida, contra 13,3% com placebo (SURMOUNT-1)
Estatina, como rosuvastatina (Crestor) Conforme o risco cardiovascular LDL na meta da categoria de risco
Remédios de pressão Hipertensão, ou pré-hipertensão com risco alto após 3 meses de mudanças Abaixo de 130/80 mmHg (diretriz brasileira, 2025)
Fibrato Triglicérides acima de 500 mg/dL Proteger o pâncreas

Dose, troca e suspensão de remédio são decisões com o médico.

Acompanhamento: o que se monitora

Como referência geral das diretrizes:

  • Após mudanças: novos exames em três a seis meses, tempo para a glicada mostrar o novo padrão.
  • Pré-diabetes ou exames normalizados: glicose e glicada ao menos uma vez por ano (SBD e ADA).
  • Com estatina: perfil lipídico de 4 a 12 semanas após começar ou mudar a dose; depois, a cada 3 a 12 meses (ACC/AHA, 2018).
  • Cintura: uma medida por mês, sempre do mesmo jeito.

O seu intervalo é combinado na consulta; veja com que frequência consultar o endocrinologista.

Guias completos sobre síndrome metabólica no site

Principais Pontos

1São 3 de 5 critérios, ou tratamento para eles.
2Para sul-americanos, a cintura conta a partir de 90 cm no homem e 80 cm na mulher; 102 e 88 cm são do NCEP-ATP III.
3A resistência à insulina liga os componentes.
4Insulina de jejum, HOMA-IR e ácido úrico não são rotina.
5A base é low carb, movimento, sono e perda de 5% a 10% do peso.
6Remédios entram por componente, quando indicados.

Erros Comuns

olhar cada exame separadamente
Juntos, valores "levemente alterados" fecham o diagnóstico.
usar o corte de cintura errado
Para sul-americanos, 90 e 80 cm, e não 102 e 88.
tratar o número do HOMA-IR
Não é critério nem decide o tratamento.
cortar carboidrato sem ajustar os remédios
Insulina, sulfonilureia e inibidor de SGLT2 pedem ajuste com o médico antes.

Perguntas Frequentes

  • O que é síndrome metabólica, em palavras simples?

    É um conjunto de sinais com a mesma raiz, a resistência à insulina: cintura aumentada, triglicérides altos, HDL baixo e pressão e glicose acima do ideal. Três dos cinco fecham o diagnóstico. Em geral, não dá sintomas, mas dobra o risco de doença cardiovascular e multiplica por cinco o de diabetes tipo 2.

  • Quais são os critérios da síndrome metabólica?

    Pelo critério harmonizado de 2009, três de cinco, ou tratamento para eles: cintura a partir de 90 cm no homem e 80 cm na mulher, para sul-americanos; triglicérides a partir de 150 mg/dL; HDL abaixo de 40 no homem ou 50 na mulher; pressão a partir de 130 por 85; glicose de jejum a partir de 100. O NCEP-ATP III usa 102 e 88 cm.

  • O que causa a síndrome metabólica?

    O motor é a gordura no lugar errado, dentro do abdome e no fígado, que atrapalha a ação da insulina. Somam-se genética, sedentarismo, pouco músculo, sono ruim, açúcar, farinhas e álcool. Alguns remédios contribuem, como corticoides e certos antipsicóticos, entre eles a olanzapina (Zyprexa) e a quetiapina (Seroquel). Nenhum deve ser suspenso por conta própria.

  • Síndrome metabólica tem cura?

    É reversível em boa parte das pessoas, sobretudo no início. Com perda de 5% a 10% do peso, low carb, treino de força e sono, os componentes podem voltar para abaixo dos cortes. A tendência genética continua: se a gordura abdominal volta, a síndrome volta. Por isso, prefiro falar em controle a longo prazo.

  • Síndrome metabólica tem relação com ovário policístico?

    Tem. Na síndrome dos ovários policísticos, a resistência à insulina é frequente e ajuda a explicar ciclos irregulares, acne e excesso de pelos. Mulheres com SOP merecem avaliação de cintura, pressão, glicose, glicada e perfil lipídico; a dosagem de insulina não é rotina. O tratamento segue a mesma base, e a metformina (Glifage) pode entrar.

  • Qual médico trata a síndrome metabólica?

    O endocrinologista cuida do conjunto: resistência à insulina, pré-diabetes, peso, colesterol, pressão e fígado. O cardiologista entra com doença do coração ou pressão difícil de controlar; o hepatologista, com fibrose importante no fígado. Nos casos simples, o clínico geral também conduz. O essencial é olhar os cinco componentes juntos, e não um de cada vez.

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Para quem está em outra cidade ou prefere atendimento remoto, quando apropriado
Dr. Rodrigo Bomeny
Escrito pelo Dr. Rodrigo Bomeny
Endocrinologista e metabologista · FMUSP / HC-USP · ~20 anos de prática clínica
CRM-SP 129869 · RQE 60562 · Conteúdo educativo atualizado em 4 de novembro de 2026. Não substitui avaliação individual.
Referências
  1. Alberti KG, Eckel RH, Grundy SM, et al. Harmonizing the metabolic syndrome: a joint interim statement of the IDF Task Force on Epidemiology and Prevention; NHLBI; AHA; WHF; IAS; and IASO. Circulation. 2009;120(16):1640-1645. doi:10.1161/CIRCULATIONAHA.109.192644.
  2. Oliveira LVA, Santos BNS, Machado IE, Malta DC, Velasquez-Melendez G, Felisbino-Mendes MS. Prevalência da Síndrome Metabólica e seus componentes na população adulta brasileira. Cien Saude Colet. 2020;25(11):4269-4280. doi:10.1590/1413-812320202511.31202020.
  3. Rodacki M, et al. Brazilian guideline for screening and diagnosis of type 2 diabetes: a position statement from the Brazilian Diabetes Society. Diabetol Metab Syndr. 2025;17(1):78. doi:10.1186/s13098-024-01572-w.
  4. American Diabetes Association Professional Practice Committee. 3. Prevention or Delay of Diabetes and Associated Comorbidities: Standards of Care in Diabetes—2026. Diabetes Care. 2026;49(Suppl 1):S50-S60. doi:10.2337/dc26-S003.
  5. Brandão AA, et al. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250624. doi:10.36660/abc.20250624.
  6. Rached FH, et al. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250640. doi:10.36660/abc.20250640.
  7. Knowler WC, Barrett-Connor E, Fowler SE, et al. Reduction in the incidence of type 2 diabetes with lifestyle intervention or metformin. N Engl J Med. 2002;346(6):393-403. doi:10.1056/NEJMoa012512.

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