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Síndrome Metabólica:

o Alerta Vermelho que o Seu Corpo Está Dando e Como Reverter


Síndrome Metabólica

Fadiga constante, barriga saliente, pressão alta, exames de sangue alterados... Esses sinais podem indicar algo maior: a síndrome metabólica. 

Essa condição silenciosa está cada vez mais comum e pode ser o primeiro passo rumo a doenças sérias como infarto, AVC e diabetes tipo 2. 

Mas a boa notícia é: ela pode ser revertida. Neste artigo, explico de forma prática o que é a síndrome metabólica, por que ela é perigosa e como tratá-la com base na ciência e na minha experiência clínica.

O que é Síndrome Metabólica?

A síndrome metabólica é o nome dado ao conjunto de alterações metabólicas que ocorrem juntas e aumentam o risco de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2. Também é conhecida como síndrome da resistência à insulina ou síndrome X.

Ela se caracteriza por:

  • Aumento da gordura abdominal
  • Glicose elevada
  • Colesterol “bom” (HDL) baixo
  • Triglicérides altos
  • Pressão alta

Essas alterações não surgem isoladamente. Elas costumam aparecer juntas em pessoas com resistência à insulina — quando o corpo precisa produzir cada vez mais insulina para obter o mesmo efeito, gerando um estado inflamatório, pró-trombótico e disfuncional para os vasos sanguíneos.

Critérios para o diagnóstico

De acordo com o painel ATP III (Adult Treatment Panel III), o diagnóstico é feito quando o paciente apresenta 3 ou mais dos seguintes critérios:

  • Circunferência abdominal: ≥102 cm (homens) e ≥88 cm (mulheres)
  • Triglicérides: ≥150 mg/dL ou uso de medicação para triglicérides
  • HDL: <40 mg/dL (homens) ou <50 mg/dL (mulheres) ou uso de medicação
  • Pressão arterial: ≥130/85 mmHg ou uso de medicação anti-hipertensiva
  • Glicemia de jejum: ≥100 mg/dL ou uso de medicação para controle glicêmico

Outras alterações associadas incluem: esteatose hepática (gordura no fígado), aumento do ácido úrico e da ferritina.

Causas e fatores de risco

As principais causas incluem:

Obesidade abdominal

(inclusive em pessoas com peso corporal normal)

Sedentarismo

Dieta rica em ultraprocessados, açúcar e gorduras ruins

Genética e histórico familiar

Distúrbios do sono

(como apneia)

Uso de certos medicamentos que promovem o ganho de pes

(ex: antipsicóticos atípicos)

Por que a síndrome metabólica é perigosa?

A síndrome metabólica multiplica o risco de doenças graves:

  • Diabetes tipo 2 (risco aumentado de 3,5 a 5 vezes)
  • Infarto e AVC
  • Gordura no fígado (esteatose hepática)
  • Insuficiência renal crônica
  • Alzheimer e declínio cognitivo
  • Câncer hepático, apneia do sono, SOP e gota

Mesmo quem está com o peso aparentemente “normal” pode ter risco aumentado se tiver resistência à insulina e alterações metabólicas escondidas.

Como é o tratamento?

1. Mudança de estilo de vida (a base de tudo!)

  • Redução de ultraprocessados e açúcares
  • Aumento da quantidade de proteínas, fibras, vegetais
  • Jejum intermitente (em casos selecionados)
  • Redução do sedentarismo: movimentar-se já melhora a resistência à insulina

2. Exercício físico

  • Combinação de aeróbico + musculação (a melhor abordagem)
  • Pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada
  • Mesmo pequenas reduções do tempo sentado já ajudam

3. Medicamentos (em casos selecionados)

  • Metformina (especialmente se pré-diabetes)
  • Agonistas do GLP-1 e GIP (ex: semaglutida e tirzepatida) SGLT2, anti-hipertensivos, estatinas ou fibratos conforme os componentes alterados
  • Em casos de obesidade grave: cirurgia bariátrica pode ser considerada

Avaliação médica e acompanhamento

O diagnóstico de síndrome metabólica não é apenas um rótulo, mas um alerta precoce para agir antes que o dano ocorra. No consultório, avalio cada paciente individualmente com:

  • Medida da circunferência abdominal
  • Exames de sangue: glicemia, insulina, HOMA-IR, perfil lipídico, hemoglobina glicada
  • Avaliação do sono, hábitos alimentares e nível de atividade

A ação precoce é a melhor forma de prevenção.

Conclusão

A síndrome metabólica é uma bomba-relógio silenciosa — mas pode ser desarmada. O tratamento é simples em teoria: mudar hábitos e cuidar da saúde. Mas sabemos que isso exige acompanhamento, suporte e estratégia. O mais importante é começar.

Se você tem pressão alta, glicemia alterada ou aumento da barriga, procure seu médico. Quanto antes identificamos, maior a chance de reverter esse quadro e evitar complicações no futuro.

Agende sua consulta com endocrinologista especialista em diabete e obesidade e recupere sua saúde hormonal.