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Menopausa e Climatério


O que são Menopausa e Climatério?

Menopausa

A menopausa é definida como a cessação definitiva da menstruação, confirmada após 12 meses consecutivos sem sangramento. Esse evento ocorre devido à falência ovariana e consequente queda dos hormônios estrogênio e progesterona. A idade média é de aproximadamente 50 anos, mas pode variar entre 45 e 55 anos.

Climatério

O climatério é a fase de transição que antecede e sucede a menopausa, podendo durar anos. Durante esse período, há uma queda gradual nos níveis hormonais, o que pode causar sintomas que afetam significativamente a qualidade de vida.

A reposição hormonal pode ser iniciada no climatério, antes mesmo da última menstruação, para amenizar impactos negativos como piora do bem-estar, alterações metabólicas e aumento da adiposidade abdominal.

Mudanças no Corpo e Metabolismo Durante a Transição para a Menopausa

A menopausa e o climatério provocam alterações importantes no metabolismo e na composição corporal da mulher. A redução dos níveis de estrogênio, associada ao aumento do FSH, contribui para a redistribuição da gordura, favorecendo o acúmulo na região abdominal e visceral.
  • Antes da menopausa: o estrogênio estimula o armazenamento de gordura subcutânea, principalmente em quadris e coxas.
  • Após a queda do estrogênio: ocorre maior depósito de gordura na região central do corpo, aumentando a adiposidade visceral.

Essas mudanças não são apenas estéticas, pois o aumento da gordura visceral está associado a:

  • Maior risco de resistência à insulina.
  • Aumento do colesterol LDL e triglicerídeos.
  • Maior predisposição a doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2.
  • Redução do gasto energético basal, dificultando a manutenção do peso.

Terapia de Reposição Hormonal (TRH): Segurança, Personalização e Impacto no Metabolismo

A Segurança da Terapia Hormonal

Quando iniciada na janela de oportunidade (até 10 anos após a menopausa ou antes dos 60 anos), a TRH é considerada segura e traz benefícios metabólicos, cardiovasculares e ósseos. Estudos indicam que a TRH pode reduzir a gordura visceral e melhorar a sensibilidade à insulina, contribuindo para a prevenção do diabetes tipo 2 e outras condições metabólicas.

Formas de Reposição Hormonal: Estrogênio, Progesterona e Testosterona

A TRH deve ser individualizada, levando em conta sintomas, histórico de saúde e preferências da paciente. A escolha da dose, via de administração e combinação dos hormônios é fundamental para garantir eficácia e segurança.

1) Reposição de Estrogênio

Utilizado para aliviar sintomas da menopausa, como ondas de calor, sudorese noturna, alterações de humor, secura vaginal e osteoporose.
Via Oral (comprimidos)
  • Exemplos: 17β-estradiol (Natifa®, Estrell®), valerato de estradiol (Primogyna®)
  • Absorção pelo trato gastrointestinal e metabolização hepática.
  • Pode estar associada a um leve aumento do risco de trombose e a maior impacto no metabolismo do fígado.
Via Transdérmica (adesivos e géis)
  • Exemplos: Estradiol em adesivo (Estradot®, Systen®), gel transdérmico (Oestrogel®, Sandrena®)
  • Aplicação na pele, com absorção direta para a circulação.
  • Apresenta menor risco cardiovascular e metabólico em comparação à via oral, além de menor risco de trombose.
  • Boa opção para mulheres com enxaqueca, hipertensão ou resistência à insulina.
Via Vaginal (cremes, comprimidos ou anéis vaginais)
  • Exemplos: Estriol vaginal (Ovestrion®, Vagifem®) e anel vaginal com estradiol (Estring®)
  • Indicada principalmente para sintomas geniturinários (secura, atrofia vaginal, infecções urinárias recorrentes).
  • Baixa absorção sistêmica, sendo segura para mulheres que não podem receber TRH sistêmica.
Via Injetável (pellets subcutâneos)
  • Pequeninos implantes de 17β-estradiol inseridos sob a pele, liberando hormônio ao longo de meses.
  • Algumas mulheres podem preferir pela comodidade ou pela falência das outras formas de reposição, mas a indicação deve ser criteriosa.

2) Reposição de Progesterona

Indicada em mulheres com útero, pois protege o endométrio do risco de hiperplasia e câncer endometrial quando o estrogênio é utilizado na reposição.
Via Oral
  • Exemplo: Progesterona micronizada natural (Utrogestan®, Evocanil®)
  • Mais segura que progestagênios sintéticos, com efeito ansiolítico que pode melhorar o sono e reduzir ansiedade.
  • Pode ser usada de forma contínua (diária) ou cíclica (12 a 14 dias por mês).
Via Transdérmica (cremes e géis)
  • Pouco eficaz para proteção endometrial.
  • Não é recomendada como única forma de reposição de progesterona.
Progestagênios Sintéticos (comprimidos ou adesivos)
  • Exemplos: Didrogesterona (Duphaston®), acetato de medroxiprogesterona (Provera®)
  • Alternativa à progesterona natural, mas com maior risco de efeitos indesejáveis, como retenção de líquidos e alterações de humor.
Dispositivo Intrauterino (DIU) com Progesterona
  • Exemplos: Mirena®, Kyleena®
  • Liberação contínua de progesterona no útero, com mínimos efeitos sistêmicos.
  • Excelente opção para proteção endometrial associada à reposição de estrogênio por via transdérmica.

3) Reposição de Testosterona

Não é indicada de forma rotineira para todas as mulheres, mas pode ser útil em casos de baixa libido, fadiga persistente e perda de massa muscular.
Via Transdérmica (géis e cremes)
  • Exemplos: Androgel® (uso fracionado), Testim®, fórmulas manipuladas
  • Absorção gradual pela pele. Deve haver ajuste cuidadoso para evitar efeitos adversos (acne, aumento de pelos, engrossamento da voz).
  • Seu uso requer indicação clara e acompanhamento regular.

A Importância do Acompanhamento e da Individualização

Cada mulher possui um perfil hormonal e metabólico único. Por isso, a TRH deve ser ajustada de maneira personalizada, com acompanhamento regular para:

  • Adaptar doses e vias de administração, garantindo eficácia e segurança.
  • Monitorar possíveis efeitos colaterais e marcadores metabólicos.
  • Prevenir complicações como retenção de líquidos, cefaleias e variações hormonais.

Efeitos Colaterais Possíveis e Manejo

  • Sensibilidade mamária e inchaço: costumam melhorar com ajuste de dose ou troca de via de administração.
  • Cefaleia e retenção de líquidos: podem ser minimizadas com ajustes hormonais.
  • Sangramentos irregulares: são comuns nos primeiros 6 meses e precisam ser avaliados.

O seguimento com um especialista é fundamental para minimizar riscos e potencializar os benefícios.

Alimentação na Menopausa: Mais Proteína, Menos Processados e Mais Nutrientes

Mesmo com reposição hormonal, manter hábitos alimentares saudáveis é essencial para minimizar os impactos metabólicos da menopausa.

  • Aumente o consumo de proteínas (carnes, ovos, peixes, laticínios) para preservar massa muscular e óssea.
  • Assegure o aporte adequado de vitaminas e minerais (cálcio, magnésio, vitamina D, zinco e selênio) indispensáveis à saúde óssea e metabólica. Inclua fontes de ômega-3 (salmão, sardinha, chia, linhaça) que têm ação anti-inflamatória e neuroprotetora.
  • Evite ultraprocessados e açúcares refinados, pois aumentam o risco de resistência à insulina e podem agravar fogachos.
  • Considere fitoestrógenos (soja fermentada, linhaça, inhame) para alívio leve dos sintomas em algumas mulheres.

Atividade Física: Essencial para a Saúde Óssea, Muscular e Cardiorrespiratória

A prática regular de exercícios é fundamental para atenuar os efeitos da menopausa e garantir maior longevidade com qualidade de vida.

  • Treinamento de força: musculação, pilates ou calistenia ajudam a prevenir sarcopenia e osteoporose.
  • Exercícios aeróbicos: caminhada, corrida ou natação melhoram a saúde cardiovascular e a capacidade aeróbica.
  • Treinamento de equilíbrio e mobilidade: ioga e alongamentos previnem quedas e aprimoram a flexibilidade.

Sono e Gerenciamento do Estresse: Essenciais para a Saúde Metabólica e Neurológica

A menopausa e o climatério estão associados a alterações no sono e no humor:

  • Qualidade do sono: a redução de estrogênio e progesterona pode causar insônia, despertares frequentes e menos sono profundo. Ondas de calor e suores noturnos interrompem o descanso, gerando fadiga diurna. A TRH auxilia na redução de fogachos e regula a temperatura corporal, melhorando a qualidade do sono. Além disso, a progesterona micronizada pode ter efeito sedativo natural, facilitando a indução e manutenção do sono.
  • Oscilações de humor: a queda de estrogênio e progesterona afeta neurotransmissores como serotonina, dopamina e GABA, podendo levar à irritabilidade, ansiedade, episódios depressivos e aumento do estresse. Evidências mostram que a TRH pode estabilizar o humor, especialmente se iniciada precocemente. O estrogênio modula a atividade serotoninérgica e dopaminérgica, enquanto a progesterona natural, na forma micronizada, exerce efeito ansiolítico ao atuar no sistema GABAérgico.

A resposta ao tratamento é individual e deve ser acompanhada por um endocrinologista para personalizar dose e via de administração, otimizando benefícios e minimizando efeitos adversos.

Quando Procurar um Endocrinologista?

A avaliação especializada é recomendada quando:

  • Sintomas de menopausa ou climatério prejudicam significativamente a qualidade de vida.
  • Há histórico pessoal ou familiar de osteoporose, doenças cardiovasculares ou metabólicas.
  • Existem dúvidas sobre reposição hormonal e outras abordagens terapêuticas.
  • Há dificuldade em manter o peso ou surgem alterações metabólicas importantes.

Conclusão

A menopausa e o climatério não precisam ser sinônimo de desconforto ou queda na qualidade de vida. Com um tratamento individualizado e acompanhamento regular, é possível passar por essa fase de maneira saudável e equilibrada.

A reposição hormonal no climatério ajuda a atenuar o impacto da redução hormonal, enquanto hábitos como alimentação adequada, atividade física e sono de qualidade são fundamentais para manter o metabolismo equilibrado.

Se você busca um acompanhamento especializado, agende uma consulta com um endocrinologista para definir a melhor estratégia para o seu caso.

Agende sua consulta com endocrinologista especialista em diabete e obesidade e recupere sua saúde hormonal.