Vitamina D na menopausa: quando dosar, quando suplementar e quanto
Vitamina D depois da menopausa: valor de referência, dose, cálcio e megadoses
Resumo rápido
- A vitamina D ajuda a absorver o cálcio, mas sozinha não trata osteoporose, fogachos nem ganho de peso.
- Pela Endocrine Society (2024), não se dosa a vitamina D de rotina na população em geral e, até os 74 anos, não se suplementa além da ingestão recomendada.
- A dosagem fica para grupos de risco, como osteoporose, quedas e má absorção.
- Pela posição brasileira de 2020, de 20 a 60 ng/mL é adequado abaixo dos 65 anos; nos grupos de risco, o ideal é de 30 a 60.
- Megadoses espaçadas aumentaram quedas e fraturas num ensaio.
Imagine uma mulher de 52 anos, há um ano sem menstruar, que dosou a vitamina D num check-up: 24 ng/mL. O laudo traz mais de uma faixa de referência, e uma amiga sugeriu 50.000 UI por semana, "para o osso". O que fazer com a vitamina D na menopausa?
Perceba que a primeira pergunta não é quanto tomar, e sim por que dosar. Sem osteoporose, quedas, má absorção ou remédio que interfira, esse número dificilmente muda a conduta, e dose alta sem falta pode trazer mais risco do que benefício.
A seguir, explico quando dosar, como ler o resultado e quanto tomar.
O que Você Precisa Saber
A vitamina D é coadjuvante do osso, não protagonista. Ela ajuda a absorver o cálcio, mas não substitui o remédio da osteoporose.
Dosar todo mundo não melhora a saúde. A Endocrine Society desaconselha a dosagem de rotina na população em geral.
Mais não é melhor. Doses altas e espaçadas aumentaram quedas e fraturas em mulheres a partir dos 70 anos.
O cálcio vem primeiro da comida. O suplemento entra só para completar o que falta.
Para que serve a vitamina D: a porta do cálcio
Costumo explicar assim: o cálcio é o tijolo do osso, e a vitamina D abre a porta do intestino para ele entrar. Sem ela, parte do cálcio da comida passa direto.
a forma da vitamina D que circula no sangue e que o exame mede. A pele fabrica vitamina D com o sol, e poucos alimentos a contêm naturalmente.
Na menopausa, a perda óssea acelera porque cai o estrogênio, que freia a reabsorção do osso; veja o guia completo da menopausa. Corrigir uma falta de vitamina D ajuda, mas não repõe o estrogênio.
Quem tem mais risco de falta de vitamina D
Pela posição de 2020 da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), o risco é maior com:
- Idade e pouco sol: mais de 65 anos, sobretudo acamadas ou restritas a ambientes fechados.
- Pele mais escura e obesidade.
- Má absorção: doença celíaca, doença de Crohn ou cirurgia bariátrica.
- Doenças: doença renal crônica, insuficiência grave do fígado, osteoporose, quedas repetidas e fratura por fragilidade.
- Remédios: anticonvulsivantes, alguns antirretrovirais, orlistate e colestiramina. O corticoide prolongado também tira osso.
A Endocrine Society, porém, sugere não dosar de rotina só por pele mais escura ou obesidade.
Dosar ou não dosar a vitamina D na menopausa
Pela diretriz da Endocrine Society de 2024, na população em geral abaixo dos 50 anos e dos 50 aos 74, não se recomenda dosar a vitamina D de rotina nem suplementar além da ingestão diária recomendada, de 600 UI por dia até os 70 anos.
A partir dos 75 anos, ela também desaconselha a dosagem de rotina, mas sugere suplemento diário em dose baixa, cerca de 900 UI nos estudos.
A dosagem fica para grupos de risco, como osteoporose, quedas e má absorção; veja exames na menopausa e check-up depois dos 40. Na osteopenia e na osteoporose, avalio o nível no sangue e corrijo a falta quando existe; veja osteopenia na menopausa.
| Situação | Dosar a vitamina D? | O que fazer |
|---|---|---|
| Saudável, de 45 a 74 anos, sem fator de risco | Não, de rotina | 600 UI por dia até os 70 anos; 800 UI depois |
| 75 anos ou mais | Não, de rotina | Suplemento diário em dose baixa |
| Osteopenia, osteoporose, fratura por fragilidade ou quedas | Sim | Corrigir a falta; remédio para o osso, se indicado |
| Má absorção, doença renal ou do fígado, remédio que interfere | Sim | Reposição orientada e nova dosagem |
| Dose alta por conta própria | Sim | Rever a dose: o excesso pode elevar o cálcio |
Valor de referência: como ler o resultado
A Endocrine Society não definiu um nível-alvo: os ensaios não estabeleceram que valor protege de quê. A posição brasileira de 2020 definiu faixas:
| Resultado de 25(OH)D | Leitura pela SBEM e SBPC/ML (2020) |
|---|---|
| Abaixo de 20 ng/mL | Deficiência |
| De 20 a 60 ng/mL | Adequado na população geral abaixo dos 65 anos |
| De 30 a 60 ng/mL | Ideal nos grupos de risco, como idosas, quedas e osteoporose |
| Acima de 100 ng/mL | Risco de intoxicação |
A mesma posição recomenda não passar de 60 ng/mL em nenhuma situação. Ao usar inteligência artificial para ler o laudo, confira a faixa do laboratório; veja o que a IA não vê. No exemplo, sem fator de risco, 24 ng/mL é adequado.
Quanto de vitamina D tomar na menopausa
Pelo Instituto de Medicina dos Estados Unidos (IOM), em 2011:
- Ingestão diária recomendada: 600 UI até os 70 anos; 800 UI depois.
- Limite superior seguro: 4.000 UI por dia, somando todas as fontes.
Com falta comprovada, a posição brasileira cita 50.000 UI por semana como dose habitual de correção: cerca de 7.000 UI por dia, acima do limite superior, por isso com prazo definido; dose, duração e nova dosagem ficam com o médico. Para quem tem 50 anos ou mais e indicação de vitamina D, a Endocrine Society prefere doses diárias menores a doses altas espaçadas.
Megadoses: quando mais vira risco
Megadoses, muito acima da necessidade e em geral espaçadas, podem intoxicar, com cálcio alto no sangue, e aumentaram fraturas num estudo:
Num ensaio australiano publicado em 2010, 2.256 mulheres a partir de 70 anos receberam 500.000 UI de vitamina D uma vez por ano, ou placebo, por 3 a 5 anos. O grupo da vitamina D teve 15% mais quedas e 26% mais fraturas, e as quedas foram 31% mais frequentes nos três meses após a dose.
O que os grandes estudos mostraram
No estudo americano VITAL, publicado em 2022, 25.871 adultos, homens a partir de 50 anos e mulheres a partir de 55, tomaram 2.000 UI de vitamina D por dia ou placebo por 5,3 anos, em mediana. A vitamina D não diminuiu as fraturas totais, as fora da coluna nem as de quadril, qualquer que fosse o nível inicial no sangue.
Ninguém foi escolhido por falta de vitamina D ou osteoporose: suplementar quem não tem falta não protegeu o osso; corrigir uma falta real continua útil.
Cálcio: primeiro pela comida
Pelo IOM, a mulher precisa de 1.000 mg de cálcio por dia até os 50 anos e de 1.200 mg depois, somando comida e suplemento. As fontes principais são leite, iogurte, queijos, sardinha, vegetais verde-escuros e bebidas vegetais enriquecidas.
O suplemento só completa o que falta. No estudo americano Women's Health Initiative (WHI), com cálcio e vitamina D diários, cerca de 1 mulher a mais em cada 273 teve cálculo urinário em 7 anos.
Vitamina D não trata osteoporose sozinha
Na osteoporose, ou na osteopenia com risco alto de fratura, quem diminui fraturas são os remédios específicos, como os bisfosfonatos (alendronato, risedronato, ácido zoledrônico) e o denosumabe. Vitamina D e cálcio corrigem a falta, mas não os substituem.
Não existe equilíbrio, existe prioridade: treino de força, proteína de 1,0 a 1,2 g por quilo de peso por dia, salvo doença renal, e prevenção de quedas. A reposição hormonal previne a perda óssea e reduz fraturas, mas a decisão de usá-la considera sintomas, idade e riscos, e não só o osso; veja reposição hormonal e densitometria óssea.
Fogachos, humor e peso: o que a vitamina D não faz
No braço de cálcio e vitamina D do WHI, 34.157 mulheres após a menopausa, com média de 64 anos, tomaram 1.000 mg de cálcio e 400 UI de vitamina D por dia ou placebo. A suplementação não melhorou fogachos, suor noturno, humor nem sono.
O resultado pode não valer na perimenopausa. Para os fogachos, há tratamentos eficazes; veja fogachos na menopausa.
No VITAL, 2.000 UI por dia não diminuíram o risco de depressão em 18.353 adultos; numa revisão de 2014 com 12 ensaios, a vitamina D, sem dieta, não diminuiu peso nem gordura.
Principais Pontos
Erros Comuns
Perguntas Frequentes
- Quanto de vitamina D devo tomar por dia na menopausa?
Sem falta comprovada nem outra indicação, a ingestão diária recomendada: 600 UI até os 70 anos e 800 UI depois, somando comida e suplemento. A partir dos 75 anos, a Endocrine Society sugere suplemento diário em dose baixa. Com falta comprovada, osteoporose ou má absorção, o médico define a dose e repete a dosagem.
- Qual o valor de referência da vitamina D na menopausa?
Pela SBEM e pela SBPC/ML, em 2020, abaixo de 20 ng/mL é deficiência; de 20 a 60, adequado na população geral abaixo dos 65 anos; de 30 a 60, o ideal nos grupos de risco, como idosas, quedas e osteoporose. Acima de 100, há risco de intoxicação. A Endocrine Society não definiu nível-alvo.
- Preciso dosar vitamina D na menopausa?
Na maioria das mulheres, não: a Endocrine Society, em 2024, desaconselhou a dosagem de rotina na população em geral. Ela faz sentido com osteopenia ou osteoporose, quedas, fratura por fragilidade, má absorção, cirurgia bariátrica, doença renal ou do fígado e remédios que interferem, como alguns anticonvulsivantes. A menopausa, sozinha, não é indicação.
- Vitamina D baixa na menopausa dá sintomas?
Em geral, não. A falta grave e prolongada pode causar osteomalácia, o osso que amolece, com dor nos ossos e fraqueza muscular. Cansaço, queda de cabelo e sono ruim são comuns na menopausa e têm muitas outras causas; sozinhos, não justificam megadose. Vale a avaliação completa, com exame físico e histórico.
- Vitamina D e cálcio são a mesma coisa?
Não. O cálcio é o mineral que forma o osso; a vitamina D ajuda o intestino a absorvê-lo. A mulher precisa de 1.000 a 1.200 mg de cálcio por dia, de preferência pela comida; o suplemento só completa o que falta, porque o excesso favorece cálculo renal. A vitamina D segue a indicação de cada caso.
- Posso tomar vitamina D todo dia?
Pode, na dose indicada. Para quem tem 50 anos ou mais e indicação de vitamina D, a Endocrine Society prefere doses diárias menores a doses altas espaçadas. O limite superior seguro é de 4.000 UI por dia, somando todas as fontes. Doses maiores, só com prescrição, por tempo definido e com nova dosagem.
- Vitamina D em excesso faz mal?
Faz. Pela posição brasileira de 2020, acima de 100 ng/mL há risco de intoxicação, com cálcio alto no sangue. Num ensaio com mulheres a partir de 70 anos, 500.000 UI uma vez por ano aumentaram as quedas em 15% e as fraturas em 26%. Megadose por conta própria não é prevenção.
- Vitamina D ajuda nos sintomas da menopausa, como os fogachos?
Não. No WHI, com mais de 34 mil mulheres após a menopausa, cálcio e vitamina D diários não melhoraram fogachos, suor noturno, humor nem sono. No VITAL, 2.000 UI por dia não diminuíram o risco de depressão. Para os fogachos, a reposição hormonal e alguns remédios não hormonais têm eficácia comprovada.
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Referências
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