Densitometria óssea: quando fazer e como ler o resultado (T-score e Z-score)
Como entender o laudo da densitometria, quem deve fazer o exame e quando repetir
Resumo rápido
- A densitometria óssea mede a densidade da coluna e do fêmur, com radiação muito baixa.
- Após a menopausa e no homem a partir dos 50 anos, vale o T-score: −1,0 ou mais é normal; entre −1,0 e −2,5, osteopenia; −2,5 ou menos, osteoporose.
- Antes da menopausa e no homem abaixo dos 50, vale o Z-score: −2,0 ou menos é "abaixo do esperado para a idade".
- Uma fratura por trauma leve pode definir osteoporose mesmo com densitometria "boa".
- Indicação: mulheres a partir dos 65 anos, homens a partir dos 70 e, antes, quem tem fator de risco.
"Doutor, em dois anos virei osteoporose?" Ela tem 61 anos e traz dois laudos de densitometria óssea. Resultado do primeiro: T-score de −2,3 na coluna, osteopenia. No segundo, de outra clínica, −2,6: osteoporose.
Veja que a palavra mudou, mas o osso talvez não: aparelhos diferentes não se comparam número a número, e essa diferença pode caber na margem de erro.
A seguir, explico como ler o T-score e o Z-score, quem deve fazer o exame e quando repetir. A decisão de tratar a osteopenia está em osteopenia na menopausa.
O que Você Precisa Saber
O exame mede densidade, não fratura. O número é lido com idade, quedas, fraturas anteriores, remédios, doenças e exame físico.
O escore certo depende de quem fez o exame. T-score para mulheres após a menopausa e homens a partir dos 50; Z-score para os mais jovens.
Vale o menor resultado. O valor mais baixo e confiável entre coluna, colo do fêmur e fêmur total define a classificação.
Comparar exige o mesmo aparelho. Diferenças pequenas entre dois exames podem ser só erro de medida.
O que é a densitometria óssea e como se preparar
raio X de dupla energia que mede o mineral do osso, em gramas por centímetro quadrado, e o compara com valores de referência. É o exame que diagnostica a osteoporose.
Costumo dizer que a densitometria é uma fotografia, não um filme. A pessoa fica deitada, de roupa, poucos minutos, sem dor nem contraste. Pela Agência Internacional de Energia Atômica, a dose de coluna e fêmur vai de menos de 1 a cerca de 15 microsieverts, comparável ou menor que a radiação natural de um dia.
O preparo:
- Jejum: não precisa.
- Cálcio: suspender o suplemento 24 horas antes; o comprimido no intestino pode aparecer na imagem.
- Contraste ou medicina nuclear recentes: avisar; o intervalo pedido varia de um a três dias, conforme o serviço.
- Metal e gestação: evitar metal na cintura; gestação ou suspeita adiam o exame.
A densitometria de corpo inteiro mede gordura e músculo e não substitui coluna e fêmur no diagnóstico.
Coluna, fêmur e antebraço: qual número vale
O laudo costuma trazer três regiões:
- Coluna lombar (L1 a L4): muda mais rápido, mas engana mais.
- Colo do fêmur e fêmur total: se os dois lados forem medidos, vale o menor, não a média.
- Antebraço (rádio 33%): se coluna ou quadril não podem ser lidos, no hiperparatireoidismo e acima do peso-limite da mesa.
Pela Sociedade Internacional de Densitometria Clínica (ISCD), vale o menor valor. Vértebras com fratura, artrose importante ou artefato são excluídas, e a coluna precisa de ao menos duas vértebras avaliáveis. Perceba: coluna normal e fêmur com osteopenia resultam em osteopenia.
T-score ou Z-score: quem usa qual
quantos desvios-padrão a sua densidade está acima ou abaixo da média de adultos jovens saudáveis. Não é porcentagem: −2,0 não significa ter perdido 20% do osso.
Já o Z-score compara a sua densidade com a de pessoas da mesma idade e do mesmo sexo.
| Quem fez o exame | Escore que vale | Como ler |
|---|---|---|
| Mulher após a menopausa | T-score | Normal, osteopenia ou osteoporose |
| Homem a partir de 50 anos | T-score | Mesma classificação |
| Mulher antes da menopausa | Z-score | −2,0 ou menos: abaixo do esperado para a idade |
| Homem abaixo de 50 anos | Z-score | −2,0 ou menos: abaixo do esperado para a idade |
Pela ISCD, em mulheres após a menopausa e homens a partir dos 50 anos, a osteoporose pode ser diagnosticada com T-score de −2,5 ou menos na coluna lombar, no colo do fêmur ou no fêmur total. No homem abaixo dos 50, ela não pode ser diagnosticada só pela densitometria.
Um Z-score baixo pede investigar causas: corticoide, falta de estrogênio ou de testosterona, doença celíaca, hiperparatireoidismo, baixo peso. Na insuficiência ovariana prematura, o exame entra no diagnóstico; veja menopausa precoce.
Como ler o resultado: faixas e próximos passos
| Resultado | O que significa | O que costuma vir depois |
|---|---|---|
| T-score de −1,0 ou mais | Densidade normal | Repetir conforme idade e risco |
| T-score entre −1,0 e −2,5 | Osteopenia (baixa massa óssea) | Calcular o risco de fratura; tratar depende do risco |
| T-score de −2,5 ou menos | Osteoporose densitométrica | Investigar causas e discutir tratamento |
| Fratura de vértebra ou quadril por trauma leve, com qualquer T-score | Osteoporose clínica | Tratamento, em geral, indicado |
| Z-score de −2,0 ou menos | Abaixo do esperado para a idade | Investigar causas |
fratura numa queda da própria altura ou menor, ou sem trauma. Em osso saudável, um trauma desse tamanho não quebra.
A fratura pesa mais do que o número. Pela Associação Americana de Endocrinologistas Clínicos (AACE), fratura de coluna ou quadril por trauma leve define osteoporose com qualquer densitometria; com osteopenia, fratura de úmero, bacia ou punho também. Fratura de vértebra pode ser silenciosa, notada só pela perda de altura.
Com osteopenia, o FRAX Brasil, calculadora ajustada à população brasileira, estima a chance de fratura em 10 anos.
Alguns serviços oferecem o escore trabecular ósseo (TBS), que ajusta o FRAX pela textura do osso da coluna, sem decidir o tratamento sozinho. Também pode haver, no mesmo aparelho, a avaliação de fratura vertebral (VFA), que procura fraturas silenciosas.
Armadilhas do laudo: artrose, calcificações e comparação entre exames
Com a idade, a coluna pode "melhorar" sem melhorar: artrose com bicos de papagaio, calcificação da aorta e fraturas antigas somam mineral à leitura. Depois dos 65 anos, o fêmur costuma ser mais confiável. E artrose não é osteoporose: dor difusa não indica perda óssea, como explico em dor nas articulações na menopausa.
a menor diferença entre dois exames que indica mudança real do osso, e não erro de medida. Cada serviço deve calcular a sua.
A ISCD aceita, no máximo, 5,3% na coluna, 5,0% no fêmur total e 6,9% no colo do fêmur; serviços bem calibrados costumam ter valores menores. Comparar exige o mesmo aparelho; sem calibração cruzada entre aparelhos, não há comparação numérica.
Quando fazer a densitometria e quando repetir
Pela ISCD e pela Endocrine Society, têm indicação:
- Mulheres a partir dos 65 anos e homens a partir dos 70, mesmo sem fator de risco.
- Mulheres após a menopausa ou na transição e homens de 50 a 69 anos com fator de risco: baixo peso, fratura por trauma leve, fratura de quadril nos pais, tabagismo, excesso de álcool, menopausa antes dos 45 anos ou retirada dos ovários.
- Adultos com remédio ou doença que tira osso: corticoide em comprimido por três meses ou mais, inibidores de aromatase (câncer de mama), bloqueio hormonal do câncer de próstata, hiperparatireoidismo, doença celíaca, artrite reumatoide ou diabetes de longa data.
Sem tratamento, o intervalo depende de quão perto o T-score está de −2,5.
Num estudo americano com 4.957 mulheres a partir de 67 anos, sem tratamento, o tempo para que 10% delas chegassem à osteoporose foi de cerca de 15 anos com T-score acima de −1,50, cerca de 5 anos entre −1,50 e −1,99 e cerca de 1 ano entre −2,00 e −2,49.
Com tratamento, repete-se em geral de um a dois anos após começar ou trocar o remédio, como orientam a diretriz brasileira e a AACE. Nova fratura, início de corticoide ou plano de pausar o remédio antecipam o exame. A reposição hormonal protege o osso, mas não é indicada só por ele; veja quando indicar a reposição hormonal.
Homens. Testosterona baixa confirmada, com duas coletas pela manhã e em jejum, como explico em exame de testosterona, justifica o exame antes dos 70. A reposição aumenta a densidade, mas não reduziu fraturas no estudo TRAVERSE; detalho em testosterona baixa e osteoporose.
Principais Pontos
Erros Comuns
Perguntas Frequentes
- Como ler o resultado da densitometria óssea?
Veja qual escore vale: T-score após a menopausa e no homem a partir dos 50 anos; Z-score antes disso. Procure o menor valor entre coluna, colo do fêmur e fêmur total. Com T-score, −1,0 ou mais é normal, entre −1,0 e −2,5 é osteopenia e −2,5 ou menos, osteoporose, sempre com a sua história.
- Qual a diferença entre T-score e Z-score na densitometria?
O T-score compara a sua densidade com a média de adultos jovens saudáveis; o Z-score, com pessoas da mesma idade e sexo. O T-score classifica mulheres após a menopausa e homens a partir dos 50 anos. Antes disso, usa-se o Z-score: −2,0 ou menos é abaixo do esperado para a idade e pede investigar causas.
- Qual é o resultado normal da densitometria óssea?
Com T-score, −1,0 ou mais em todas as regiões avaliadas; valores positivos também são normais. Com Z-score, qualquer valor acima de −2,0. Mas resultado normal não garante que o osso não vai quebrar: quem já teve fratura por trauma leve, usa corticoide ou cai com frequência precisa de avaliação mesmo assim.
- De quanto em quanto tempo devo repetir a densitometria óssea?
Em geral, não antes de um a dois anos, porque diferenças pequenas podem ser erro de medida. Com tratamento, repete-se de um a dois anos após começar ou trocar o remédio. Sem tratamento, quanto mais perto de −2,5, menor o intervalo; com resultado normal e sem risco novo, ele pode ser bem longo.
- A densitometria óssea precisa de preparo ou de jejum?
Não precisa de jejum. O suplemento de cálcio deve ser suspenso nas 24 horas anteriores. Quem fez exame com contraste, como bário ou iodo, ou de medicina nuclear nos últimos dias deve avisar o serviço, que pode pedir para adiar. Use roupa sem metal na cintura e avise se houver gestação ou suspeita.
- A densitometria óssea é perigosa por causa da radiação?
Não. Pela Agência Internacional de Energia Atômica, um exame de coluna e fêmur expõe a menos de 1 até cerca de 15 microsieverts, comparável ou menor que a radiação natural de um dia. Por isso, pode ser repetido quando há indicação; a restrição importante é a gestação, que adia o exame.
- Homem precisa fazer densitometria óssea? Com que idade?
Pela Endocrine Society e pela ISCD, a partir dos 70 anos; entre 50 e 69, com fator de risco, como fratura por trauma leve, baixo peso, tabagismo, excesso de álcool, corticoide, testosterona baixa confirmada ou bloqueio hormonal para câncer de próstata. A força-tarefa americana considera insuficiente a evidência para rastrear todos os homens.
- Por que a coluna deu normal e o fêmur deu osteopenia?
As regiões perdem osso em ritmos diferentes, e a coluna engana com a idade: artrose, calcificação da aorta e fraturas antigas somam mineral e elevam o resultado. Por isso, o diagnóstico usa o menor valor entre coluna, colo do fêmur e fêmur total, e, depois dos 65 anos, o fêmur costuma ser mais confiável.
Entenda o seu laudo com orientação individual
Se o seu laudo trouxe dúvidas, vale uma avaliação que junte exame, história e risco de fratura.
Consulta presencial: agende sua consulta com o Dr. Rodrigo Bomeny no Instituto Aster (Campo Belo) ou no Hospital Israelita Albert Einstein (Perdizes), em São Paulo.
Cuide da sua saúde com orientação individual
Telemedicina: se você está em outra cidade ou prefere atendimento remoto, conheça a consulta por telemedicina, quando apropriado.
Referências
- International Society for Clinical Densitometry (ISCD). 2023 ISCD Official Positions – Adult. ISCD; 2023.
- World Health Organization. Assessment of fracture risk and its application to screening for postmenopausal osteoporosis. WHO Technical Report Series 843. Geneva: WHO; 1994.
- Camacho PM, Petak SM, Binkley N, et al. American Association of Clinical Endocrinologists/American College of Endocrinology Clinical Practice Guidelines for the Diagnosis and Treatment of Postmenopausal Osteoporosis—2020 Update. Endocr Pract. 2020;26(Suppl 1).
- Radominski SC, Bernardo W, Paula AP, et al. Brazilian guidelines for the diagnosis and treatment of postmenopausal osteoporosis. Rev Bras Reumatol Engl Ed. 2017;57(Suppl 2):452-466. doi:10.1016/j.rbre.2017.07.001.
- Watts NB, Adler RA, Bilezikian JP, et al. Osteoporosis in men: an Endocrine Society clinical practice guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2012;97(6):1802-1822. doi:10.1210/jc.2011-3045.
- US Preventive Services Task Force; Nicholson WK, Silverstein M, Wong JB, et al. Screening for Osteoporosis to Prevent Fractures: US Preventive Services Task Force Recommendation Statement. JAMA. 2025. doi:10.1001/jama.2024.27154.
- Gourlay ML, Fine JP, Preisser JS, et al. Bone-density testing interval and transition to osteoporosis in older women. N Engl J Med. 2012;366(3):225-233. doi:10.1056/NEJMoa1107142.
- Humphrey MB, Russell L, Danila MI, et al. 2022 American College of Rheumatology Guideline for the Prevention and Treatment of Glucocorticoid-Induced Osteoporosis. Arthritis Rheumatol. 2023. doi:10.1002/art.42646.
- International Atomic Energy Agency (IAEA). Radiation protection of patients during DXA (bone mineral densitometry). Vienna: IAEA.
