Exames para diabéticos: o checklist anual e a frequência de cada um
Exames de rotina no diabetes: para que serve cada um e quando repetir
Resumo rápido
- Hemoglobina glicada a cada 3 meses fora da meta e a cada 6 meses quando estável.
- Rins, olhos, nervos e pés: uma vez por ano, desde o diagnóstico no tipo 2 e após cinco anos no tipo 1.
- Pressão em toda consulta; perfil lipídico, sem jejum, no diagnóstico e depois a cada 3 a 12 meses.
- FIB-4, vitamina B12 com metformina, tireoide no tipo 1, dentista e vacinas completam o checklist.
- Nenhum número isolado fecha diagnóstico; insulina, HOMA-IR e peptídeo C não são rotina.
Ele tem 58 anos, diabetes tipo 2 há nove e traz os exames para diabéticos do último ano: glicada de 6,8%, glicemia e colesterol. O último fundo de olho foi há quatro anos; a albumina na urina, nunca mediu; os pés, ninguém examinou sem meia.
A glicada rouba a atenção, mas o checklist serve para achar cedo, sem sintomas, o que a glicose alta faz nos rins, olhos, nervos, coração e fígado.
Como é a consulta, explico em consulta para diabetes: o que avaliar. Aqui fico com cada exame, para que serve e com que frequência, segundo a Associação Americana de Diabetes (ADA) e a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).
O que Você Precisa Saber
A glicada não conta a história toda. Rins, retina e nervos adoecem em silêncio.
O calendário depende do tipo de diabetes. O tipo 2 costuma existir anos antes do diagnóstico, e os rastreamentos começam logo; no tipo 1, após cinco anos.
Exame alterado pede confirmação. O número é lido com sintomas, exame físico e histórico, e muitos resultados são repetidos antes do diagnóstico.
Nem todo exame merece repetição. Alguns só enchem a pasta, sem mudar o tratamento.
Glicose: hemoglobina glicada, glicemia capilar e sensor
porcentagem da hemoglobina das hemácias que carrega glicose grudada. Reflete a média dos últimos dois a três meses e não exige jejum.
Peço a hemoglobina glicada a cada três meses fora da meta ou após mudar o tratamento, e a cada seis meses quando estável, como recomenda a ADA; a SBD prefere três meses durante o ajuste. A meta, para a maioria dos adultos, é abaixo de 7%. Se ela não combina com as glicemias, penso em anemia, doença renal ou variantes da hemoglobina.
porcentagem do dia em que a glicose do sensor contínuo fica entre 70 e 180 mg/dL, em relatórios de pelo menos 14 dias.
A SBD recomenda o sensor a todos com tipo 1 e a quem tem tipo 2 e usa insulina; veja monitoramento da glicemia. Metas para a maioria: mais de 70% do tempo no alvo, menos de 4% abaixo de 70 mg/dL e menos de 1% abaixo de 54; em idosos frágeis, mais de 50% no alvo.
Oriento low carb no diabetes: menos de 130 gramas de carboidrato por dia, ou de 26% a 45% das calorias, referência da SBD, com prioridade de proteína; veja o guia de alimentação no diabetes.
Alerta de segurança: com insulina ou sulfonilureias (como glibenclamida), reduzir carboidrato pode causar hipoglicemia, e as glicemias ficam mais frequentes; com inibidores de SGLT2 (como dapagliflozina), há risco de cetoacidose euglicêmica. Ajuste os remédios com o médico antes. Tipo 1, gestação, idosos frágeis e doença renal avançada exigem acompanhamento próximo.
Rins: creatinina, taxa de filtração e albumina na urina
A creatinina do sangue estima a taxa de filtração dos rins; a urina mostra se eles deixam escapar albumina.
albumina, uma proteína do sangue, medida numa amostra de urina, de preferência a primeira da manhã. O normal é abaixo de 30 mg/g.
No tipo 2, esses exames começam no diagnóstico; no tipo 1, após cinco anos de doença. Normais, repetem-se uma vez por ano; com doença renal, de uma a quatro vezes por ano. Albumina alterada só se confirma em duas de três amostras em três a seis meses: exercício intenso, infecção urinária, febre, menstruação e glicose muito alta a elevam de forma passageira. Veja albuminúria no diabetes.
A doença renal do diabetes atinge cerca de 20% a 40% das pessoas com diabetes e, no início, não dá sintomas: a albumina na urina costuma ser o primeiro sinal.
Olhos: fundo de olho ou retinografia
A retinopatia diabética é a causa mais frequente de novos casos de cegueira entre adultos de 20 a 74 anos, segundo a ADA, e pode ameaçar a visão sem dar sintomas.
O exame é o fundo de olho com pupila dilatada ou a retinografia, a fotografia da retina. No tipo 2, começa no diagnóstico; no tipo 1, cinco anos após o início.
A SBD recomenda exame anual sem retinopatia ou com retinopatia leve; a ADA admite cada um a dois anos após exames normais, com a glicose na meta. Eu sigo o anual, e qualquer retinopatia pede reavaliações mais próximas. Quem tem diabetes e engravida faz o exame antes ou no início da gestação, a cada trimestre e no primeiro ano após o parto. Veja retinopatia diabética sem sintomas.
Pés e nervos: monofilamento, sensibilidade, pulsos e pele
Até metade dos casos de neuropatia periférica do diabetes não dá sintomas, segundo a ADA: a perda de sensibilidade aparece no exame, não na queixa.
A neuropatia é rastreada uma vez por ano, desde o diagnóstico no tipo 2 e a partir do quinto ano no tipo 1, com dois testes: picada ou temperatura, para as fibras finas, e vibração do diapasão de 128 Hz, para as grossas.
fio de náilon encostado na sola do pé até dobrar. Quem não o sente perdeu a sensibilidade protetora e tem mais risco de feridas.
No exame anual dos pés, olho também pele, unhas, calos, deformidades e pulsos; sem pulso ou com dor ao caminhar, peço o índice tornozelo-braquial. Quem perdeu a sensibilidade ou já teve ferida é examinado em toda consulta. Veja neuropatia diabética.
Coração e vasos: pressão, colesterol e risco cardiovascular
A pressão é medida em toda consulta; para a maioria, a meta é abaixo de 130 por 80.
O perfil lipídico, sem jejum, entra no diagnóstico, de 4 a 12 semanas após mudar o remédio ou a alimentação e, depois, a cada 3 a 12 meses. Pela diretriz brasileira de dislipidemias de 2025, quem tem diabetes nunca está no risco cardiovascular baixo, e a meta de LDL vai de abaixo de 100 a abaixo de 40 mg/dL; veja colesterol e diabetes.
O escore de cálcio não é rotina: peço quando pode mudar a conduta. Acima de 300, o risco passa a muito alto. Já o zero, no diabetes, não dispensa a estatina; veja escore de cálcio zero. Teste de esforço e angiotomografia entram com sintomas ou eletrocardiograma alterado.
Fígado, vitamina B12, tireoide, boca e vacinas
conta com idade, TGO, TGP e plaquetas que estima o risco de fibrose, a cicatriz que a gordura deixa no fígado.
A SBD recomenda o FIB-4 para todos os adultos com diabetes tipo 2 ou pré-diabetes, mesmo com TGO e TGP normais. Abaixo de 1,3, o risco é baixo, e o consenso da ADA de 2025 sugere repetir em um a dois anos; a partir de 1,3, vem a elastografia; acima de 2,67, o hepatologista. Veja gordura no fígado.
Segundo o consenso da ADA de 2025, cerca de 70% das pessoas com diabetes tipo 2 têm gordura no fígado, e de 15% a 38% já têm inflamação com fibrose relevante ou cirrose.
Vitamina B12. A metformina pode reduzir sua absorção: peço a dosagem anual a partir do quarto ano de uso, ou antes com formigamento ou anemia; veja metformina e vitamina B12.
Tipo 1. Pela SBD, TSH e anticorpos antitireoide no diagnóstico e a cada um a dois anos; no adulto, anticorpos de doença celíaca só com sintomas digestivos. Veja diabetes tipo 1 no adulto.
Boca e vacinas. Dentista pelo menos uma vez por ano, como recomenda a ADA: a periodontite piora a glicose. Revise as vacinas todo ano, da gripe ao herpes-zóster; veja diabetes e vacinas.
Checklist: a frequência de cada exame
Os intervalos valem para quem está estável; complicações, mudança de tratamento e gestação os encurtam. Cada laboratório tem a sua faixa de referência.
| Exame | Para que serve | Frequência habitual |
|---|---|---|
| Hemoglobina glicada | Média da glicose | A cada 3 meses fora da meta; a cada 6 se estável |
| Pressão arterial | Risco de coração e rins | Toda consulta |
| Creatinina e albumina na urina | Lesão nos rins | Anual: tipo 2 desde o diagnóstico; tipo 1 após 5 anos |
| Fundo de olho ou retinografia | Retinopatia | Anual, no mesmo calendário |
| Pés e nervos | Neuropatia e risco de feridas | Anual; toda consulta se houver risco alto |
| Perfil lipídico | Meta de LDL | Diagnóstico; 4 a 12 semanas após mudanças; depois a cada 3 a 12 meses |
| FIB-4 (TGO, TGP e plaquetas) | Fibrose no fígado | Tipo 2: avaliação inicial; se abaixo de 1,3, a cada 1 a 2 anos |
| Vitamina B12 | Efeito da metformina | Anual a partir do 4º ano de uso |
| TSH e anticorpos antitireoide | Tireoidite no tipo 1 | No diagnóstico e a cada 1 a 2 anos |
O que não precisa de rotina. Insulina de jejum e HOMA-IR não mudam o tratamento e perdem o sentido em quem usa insulina; o peptídeo C ajuda a definir o tipo de diabetes na dúvida, não a acompanhar. Vai à primeira consulta? Veja quais exames levar.
Principais Pontos
Erros Comuns
Perguntas Frequentes
- Quais exames o diabético deve fazer todo ano?
Hemoglobina glicada de duas a quatro vezes; creatinina e albumina na urina; perfil lipídico; fundo de olho ou retinografia; e exame dos pés. No tipo 2, soma-se o FIB-4; com metformina, a vitamina B12; no tipo 1, o TSH a cada um a dois anos. Pressão, dentista e vacinas completam a lista.
- De quanto em quanto tempo o diabético deve fazer a hemoglobina glicada?
A cada três meses enquanto está fora da meta ou depois de mudar o tratamento, tempo que a glicada leva para refletir a mudança. Estável e na meta, a cada seis meses, como recomenda a ADA. Com sensor, o tempo no alvo ainda mostra oscilações e hipoglicemias que a média esconde.
- Exame de diabetes precisa de jejum?
Só a glicemia de jejum, que pede 8 horas sem comer. Glicada, perfil lipídico e creatinina dispensam jejum. Para a albumina, prefira a primeira urina da manhã, sem exercício intenso na véspera. Quem usa insulina ou sulfonilureia não deve prolongar o jejum à espera da coleta, pelo risco de hipoglicemia.
- Qual exame de urina o diabético deve fazer?
A relação albumina/creatinina, numa amostra isolada, de preferência a primeira da manhã. Ela detecta o primeiro sinal de lesão nos rins, que a urina tipo 1 não mostra. O normal é abaixo de 30 mg/g, e um valor alterado só se confirma em duas de três amostras em três a seis meses.
- Diabético precisa fazer exame de fundo de olho todo ano?
Na maioria dos casos, sim. A SBD recomenda exame anual sem retinopatia ou com retinopatia leve, e eu sigo. A ADA admite espaçar para cada um a dois anos após exames normais, com a glicose na meta. Retinopatia ou gestação pedem exames mais frequentes; perda súbita de visão, avaliação imediata.
- Como é feito o exame do pé diabético?
É rápido e indolor. O médico olha pele, unhas, calos e deformidades, palpa os pulsos e testa a sensibilidade com o monofilamento de 10 g, o diapasão e a picada ou a temperatura. Deve ser feito todo ano, e em toda consulta para quem perdeu a sensibilidade ou já teve ferida.
- Quais são os exames de rotina no diabetes tipo 1?
Os mesmos do tipo 2, com dois ajustes. Rins, olhos e nervos são rastreados após cinco anos de doença. E, pela SBD, TSH e anticorpos antitireoide entram no diagnóstico e a cada um a dois anos, pela tireoidite autoimune, mais comum. No adulto, anticorpos de doença celíaca só com sintomas digestivos.
- Quem tem diabetes precisa fazer exame do coração?
Sem sintomas, teste de esforço, cintilografia e angiotomografia não são rotina. O que protege é medir a pressão em toda consulta, controlar o colesterol e calcular o risco cardiovascular; o escore de cálcio ajuda quando pode mudar a conduta. Dor no peito, falta de ar aos esforços ou eletrocardiograma alterado pedem investigação.
Organize seus exames com orientação individual
Se você tem diabetes e não sabe quais exames estão em dia, vale uma avaliação completa.
Consulta presencial: agende sua consulta com o Dr. Rodrigo Bomeny no Instituto Aster (Campo Belo) ou no Hospital Israelita Albert Einstein (Perdizes), em São Paulo.
Cuide da sua saúde com orientação individual
Telemedicina: se você está em outra cidade ou prefere atendimento remoto, conheça a consulta por telemedicina, quando apropriado.
Referências
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- American Diabetes Association Professional Practice Committee. 12. Retinopathy, Neuropathy, and Foot Care: Standards of Care in Diabetes—2026. Diabetes Care. 2026;49(Suppl 1):S261-S276. doi:10.2337/dc26-S012.
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