Skip to main content

Obesidade: o que é, causas e por que não é falta de força de vontade

Causas da obesidade: o que acontece no corpo e por que "comer menos e se mexer mais" não basta

Resumo rápido

  • Obesidade é uma doença crônica em que o excesso de gordura prejudica a saúde. Não é defeito de caráter nem escolha.
  • As causas da obesidade se somam: genética, hormônios da fome e da saciedade, sono, estresse, ambiente alimentar, medicamentos e, às vezes, doenças endócrinas.
  • O IMC serve para rastrear, não para fechar o diagnóstico. A cintura e a relação cintura-altura dizem onde a gordura está e se ela está fazendo mal.
  • No Brasil, 1 em cada 4 adultos das capitais vive com obesidade e mais de 6 em cada 10 estão acima do peso. O número dobrou em menos de 20 anos.
  • O corpo defende o peso que considera "normal". Por isso dietas por conta própria costumam falhar e o tratamento precisa ser contínuo.

Quase toda semana entra no meu consultório alguém que começa a conversa pedindo desculpa. "Doutor, eu sei que é falta de vergonha na cara." "Já tentei de tudo e sempre volto." São pessoas que já fizeram dezenas de dietas e carregam, junto com o peso, uma culpa que não é delas.

Costumo responder assim: se obesidade fosse falta de força de vontade, ela não teria dobrado no Brasil em menos de vinte anos. O que mudou foi o ambiente; o que não mudou foi a biologia de um corpo desenhado para guardar energia e defender esse estoque.

Neste artigo, explico o que é obesidade, como se diagnostica, quais são as causas da obesidade que realmente importam, o que ela faz com a saúde e quando procurar ajuda.

Opções de tratamento, metas e acompanhamento estão reunidos na página sobre o tratamento da obesidade com endocrinologista em São Paulo.

O que Você Precisa Saber

Obesidade é doença, e a definição ficou mais precisa em 2025. Uma comissão internacional publicada na The Lancet Diabetes & Endocrinology propôs separar obesidade clínica (o excesso de gordura já causa disfunção em algum órgão) de obesidade pré-clínica (ainda sem dano). As duas merecem cuidado, com urgências diferentes.

O corpo tem um "termostato" de peso. Quando você emagrece, a fome sobe e o gasto de energia cai, e esses ajustes podem durar anos. É isso que explica por que a maioria das pessoas recupera o peso perdido: o problema não está na disciplina.

Genética carrega boa parte da conta. Estudos com gêmeos estimam que entre 40% e 70% da variação do peso entre as pessoas tem origem genética. Os genes definem o quanto o corpo sente fome, o quanto se sacia e como reage ao ambiente.

O ambiente puxou o gatilho. Comida ultraprocessada barata e disponível 24 horas, menos sono, mais estresse e menos movimento. A genética carrega a arma; o ambiente aperta o gatilho.

O que é obesidade, afinal

Definição rápida
Obesidade

doença crônica caracterizada pelo acúmulo de gordura corporal em quantidade ou distribuição que prejudica a saúde. A palavra-chave é "prejudica": o problema não é o número na balança, é o que o excesso de gordura faz com o corpo.

Costumo usar a analogia da geladeira. O tecido adiposo é a geladeira do corpo, onde guardamos energia para os períodos de escassez. O problema aparece quando ela está tão cheia que a porta não fecha, e a comida passa a ser guardada onde não deveria: no fígado, no músculo, em volta do coração e dentro da barriga. Essa gordura "transbordada" inflama e atrapalha a ação da insulina, e é daí que vêm o diabetes tipo 2, a gordura no fígado, a pressão alta e boa parte do risco cardiovascular. Perceba que duas pessoas com o mesmo peso podem estar em situações opostas, dependendo de onde a gordura está.

Foi por isso que, em janeiro de 2025, uma comissão com 58 especialistas propôs separar duas situações.

Definição rápida
Obesidade clínica

excesso de gordura corporal que já causa disfunção em órgãos (falta de ar, apneia, glicose e triglicérides altos, gordura no fígado, dor e limitação nos joelhos) ou que limita atividades do dia a dia, como se vestir, tomar banho ou caminhar.

Definição rápida
Obesidade pré-clínica

excesso de gordura confirmado, com os órgãos ainda funcionando normalmente. O risco de evoluir para obesidade clínica, diabetes e doença cardiovascular está aumentado, mas ainda não há dano.

Como se diagnostica: IMC, cintura e o que o número não mostra

O IMC (índice de massa corporal) é o peso dividido pela altura ao quadrado. Pela classificação da Organização Mundial da Saúde, de 25 a 29,9 kg/m² é sobrepeso; de 30 a 34,9, obesidade grau 1; de 35 a 39,9, grau 2; e a partir de 40, grau 3. É uma régua útil para um primeiro rastreio.

O problema é que o IMC não sabe o que é gordura e o que é músculo, nem onde a gordura está: uma pessoa com IMC 24 pode ter pouco músculo e muita gordura na barriga e no fígado. Detalhei isso no artigo sobre a diferença entre obesidade e sobrepeso. Por isso, a recomendação atual é confirmar o excesso de gordura com pelo menos mais uma medida:

Circunferência da cintura. Fita na altura do umbigo. Os pontos de corte mais usados para a nossa população são 80 cm em mulheres e 94 cm em homens; acima de 88 e 102 cm, o risco é alto.

Relação cintura-altura. Divida a cintura pela altura, as duas em centímetros. Acima de 0,5, o risco cardiovascular já aumenta, independentemente do IMC: a cintura deve ter menos da metade da altura. Explico no artigo sobre a relação cintura-altura.

Composição corporal. Bioimpedância ou DEXA estimam quanto do peso é gordura e quanto é músculo. A exceção é o IMC acima de 40, que já permite assumir o excesso de gordura. Confirmado o excesso, vem a pergunta que importa: ele já está fazendo mal? É o que exames de sangue, pressão, sono e articulações respondem.

A obesidade é diagnosticada quando o excesso de gordura corporal é confirmado por mais de uma medida (IMC somado à cintura, à relação cintura-altura ou à composição corporal) e quando se avalia se essa gordura já prejudica o funcionamento do corpo. O número da balança, sozinho, não define a doença.

As causas biológicas: por que o corpo defende o peso

Genética. Estudos com gêmeos criados separados mostram que o peso de cada um se parece mais com o do irmão biológico do que com o da família que o criou. Na maioria dos casos, não é um gene só, e sim centenas de pequenas variações que, somadas, dão mais fome, saciedade mais lenta e mais prazer com comida calórica.

Os hormônios da fome e da saciedade. O apetite não é uma decisão consciente; é um sistema hormonal. A leptina, produzida pela gordura, avisa o cérebro que há energia guardada. A grelina, do estômago, dá fome antes das refeições. O GLP-1 e outros hormônios do intestino avisam, depois de comer, que já chegou. Em quem tem obesidade, o cérebro fica "surdo" à leptina: a geladeira está cheia e o aviso não chega.

Definição rápida
Set point (ponto de ajuste)

faixa de peso que o cérebro reconhece como "normal" e tenta manter, aumentando a fome e reduzindo o gasto quando o peso cai. Ele pode subir ao longo da vida, mas raramente desce sozinho.

A adaptação metabólica. Quando você perde peso, a fome aumenta, em média cerca de 100 kcal por dia para cada quilo perdido, e o gasto de energia cai um pouco além do esperado para o novo tamanho do corpo. Um ano depois de uma dieta, a leptina ainda está baixa, a grelina alta e a fome maior do que antes. É isso que explica o efeito platô e o reganho depois das dietas.

Depois de emagrecer, o corpo aumenta a fome e reduz o gasto de energia para recuperar o peso perdido, e esses ajustes hormonais podem durar mais de um ano. Esse mecanismo biológico, e não a falta de disciplina, é o principal motivo do reganho de peso.

As causas ambientais: o gatilho que o mundo moderno apertou

Alimentos ultraprocessados e porções. Não é só uma questão de calorias. São produtos desenhados para serem fáceis de comer rápido, difíceis de parar e pobres em proteína e fibra, justamente os nutrientes que mais saciam. Quando a proporção entre proteína e energia cai, o corpo tende a comer mais até atingir a proteína de que precisa; esse é um dos fundamentos da Relação Proteína|Energia que uso no consultório. E tudo isso está em todo lugar, em porções cada vez maiores.

Sono. Dormir pouco aumenta a grelina, reduz a leptina e faz o cérebro buscar comida mais calórica no dia seguinte. No Vigitel mais recente, 1 em cada 5 adultos das capitais dorme menos de seis horas por noite.

Estresse crônico. O cortisol aumenta o apetite por alimentos calóricos e favorece a gordura na barriga, e comer é a forma mais acessível de aliviar tensão. Falei disso em como a saúde mental interfere no emagrecimento.

Sedentarismo, telas e condições de vida. O movimento do dia a dia caiu muito: trabalhamos, nos deslocamos e descansamos sentados, diante de uma tela que ainda atrasa o sono. Somam-se jornadas longas, pouco tempo para cozinhar e comida fresca cara. Não à toa, a obesidade atinge mais quem tem menos escolaridade e renda.

Medicamentos que engordam

Vários remédios comuns aumentam o apetite ou favorecem o acúmulo de gordura, e muita gente ganha dez quilos sem ligar uma coisa à outra. Os principais:

  • Corticoides (prednisona, dexametasona) em uso prolongado;
  • Alguns antidepressivos, como mirtazapina, paroxetina e amitriptilina;
  • Alguns antipsicóticos, como olanzapina, quetiapina e risperidona;
  • Lítio, valproato, alguns betabloqueadores e anti-histamínicos de uso contínuo;
  • Insulina e sulfonilureias (glibenclamida, gliclazida) no tratamento do diabetes;
  • Anticoncepcionais hormonais: efeito pequeno na média, maior em algumas mulheres, sobretudo com as formas injetáveis.

Isso não significa parar o remédio por conta própria, e sim levar a lista completa à consulta, porque muitas vezes existe alternativa com menos impacto no peso.

Causas endócrinas: hormônios explicam, mas menos do que se imagina

"Doutor, será que é hormônio?" A resposta honesta é: às vezes, e quase nunca sozinho.

Hipotireoidismo. A tireoide lenta reduz o gasto de energia e retém líquido, mas o ganho de peso que ela causa é modesto, em geral de dois a cinco quilos, e boa parte é água. Tratar é obrigatório, mas raramente resolve a obesidade. Detalhei em hipotireoidismo causa ganho de peso?.

Síndrome de Cushing. Excesso de cortisol, por tumor ou por uso de corticoide. É rara e tem sinais característicos: gordura no tronco e no rosto, braços e pernas finos, estrias roxas largas e fraqueza muscular.

Síndrome dos ovários policísticos (SOP). Muito comum, e a relação é de mão dupla: a resistência à insulina favorece o ganho de peso, que piora a resistência à insulina e os sintomas. Mais da metade das mulheres com SOP tem sobrepeso ou obesidade.

Testosterona baixa no homem e menopausa na mulher. Nos dois casos, a queda hormonal muda a distribuição da gordura (mais barriga, menos músculo) e reduz o gasto. Na menopausa, o ganho médio é pequeno, mas a mudança de "onde" a gordura fica é grande, como explico em menopausa engorda?. Perceba que a avaliação hormonal é parte do diagnóstico, e não um atalho para "a culpa é do hormônio".

Fatores psicológicos, gravidez e as fases da vida

Compulsão alimentar e comer emocional. Uma parte importante das pessoas com obesidade tem episódios de compulsão (comer muito em pouco tempo, com perda de controle) ou usa a comida para regular emoções. São padrões com base neurobiológica que respondem a psicoterapia e, quando indicado, medicação. Escrevi um guia sobre como controlar a compulsão alimentar.

Histórico de dietas restritivas. Cada ciclo de restrição severa seguida de reganho deixa o corpo mais eficiente em recuperar peso, com menos músculo. É o efeito sanfona: uma causa que a própria tentativa de emagrecer cria.

Gravidez. Parte das mulheres mantém, após cada gestação, alguns quilos a mais, sobretudo quando o ganho na gravidez foi acima do recomendado.

Obesidade no Brasil: os números mais recentes

No Vigitel 2024, o inquérito telefônico do Ministério da Saúde nas capitais e no Distrito Federal divulgado em 2026, 62,6% dos adultos estavam com excesso de peso e 25,7% tinham obesidade. Em 2006, quando a série começou, esses números eram 42,6% e 11,8%: em dezoito anos, a obesidade mais do que dobrou.

A Federação Mundial de Obesidade estima que, no país inteiro, cerca de 3 em cada 10 adultos já vivem com obesidade, com projeção de alta até 2030. No mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde, são 940 milhões de adultos com obesidade, 1 em cada 6. É a prova de que o ambiente mudou mais rápido do que a biologia.

O que a obesidade faz com a saúde

Falo disso sem alarmismo, para explicar por que vale a pena tratar. A obesidade, especialmente a clínica, aumenta o risco de:

Diabetes tipo 2. A maior parte dos casos está ligada ao excesso de peso, e uma perda de 10% a 15% pode levar à remissão em quem tem diagnóstico recente.

Doença cardiovascular. Pressão alta, colesterol alterado, inflamação e apneia se somam, aumentando o risco de infarto, AVC e insuficiência cardíaca.

Gordura no fígado. É a doença de fígado mais comum do mundo e pode evoluir para cirrose. É silenciosa e reversível, como explico em gordura no fígado tem cura?.

Apneia do sono. A gordura no pescoço e no tronco estreita a via aérea: a pessoa ronca, para de respirar e acorda cansada. A apneia piora a pressão, a glicose e o apetite.

Articulações e câncer. Cada quilo a mais sobrecarrega joelhos, quadris e coluna. E a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer liga o excesso de gordura a pelo menos 13 tipos de câncer, como intestino, endométrio, mama na pós-menopausa, rim e fígado.

Fertilidade e saúde mental. Na mulher, ciclos irregulares e dificuldade para engravidar; no homem, queda da testosterona. Em todos, depressão, ansiedade e o estigma que a sociedade impõe.

O outro lado da moeda: quase tudo nessa lista melhora com uma perda de 5% a 10% do peso, e ainda mais com 15%, hoje alcançável.

Por que "comer menos e se mexer mais" não basta

A frase não está errada, está incompleta. Um déficit de energia é necessário para perder gordura, mas, assim que ele começa, o corpo responde aumentando a fome e reduzindo o gasto. Dizer a alguém com obesidade que basta "fechar a boca" é como dizer a alguém com asma que basta "respirar com calma". Alimentação e movimento são a base do tratamento; o que não funciona é tratá-los como teste de caráter.

O que funciona é uma ordem de prioridades. Como gosto de dizer, não existe equilíbrio, existe prioridade. Primeiro, entender as causas daquela pessoa; depois, organizar a alimentação para controlar a fome, com proteína em cada refeição, e treino de força para proteger o músculo. E, quando a biologia pesa mais que o esforço, usar as ferramentas médicas, que hoje agem nos hormônios da saciedade. Detalho tudo no artigo sobre o tratamento para obesidade.

Quando procurar ajuda e o que a avaliação inclui

Não é preciso esperar o IMC chegar a 30 nem ter uma complicação instalada. Vale uma avaliação quando:

  • o peso vem subindo de forma progressiva há meses ou anos;
  • a cintura passou da metade da altura;
  • você já fez várias dietas e sempre recuperou o peso;
  • apareceram alterações de glicose, colesterol, triglicérides, pressão ou fígado;
  • você ronca, acorda cansado, tem compulsão alimentar ou começou um remédio e o peso disparou.

Na primeira consulta, monto o quebra-cabeça: história do peso desde a infância, tentativas anteriores, sono, estresse, medicamentos e família. Examino peso, altura, cintura e pressão e procuro sinais de resistência à insulina e de doenças endócrinas. Reviso os exames que a pessoa já tem e peço só o que falta: glicose e hemoglobina glicada, colesterol, enzimas do fígado, TSH e, conforme o caso, outros hormônios, composição corporal e investigação da apneia. Com isso, definimos quais causas pesam mais e por onde começar. O plano sai por escrito, com prioridades claras, e o acompanhamento é contínuo, porque o corpo não para de defender o peso quando a consulta acaba.

Principais Pontos

1Obesidade é uma doença crônica em que o excesso de gordura prejudica a saúde; não é falta de força de vontade.
2A definição de 2025 separa obesidade clínica (com dano em órgãos) de pré-clínica (ainda sem dano).
3O IMC é um rastreio; a cintura, a relação cintura-altura (menor que 0,5) e a composição corporal confirmam o excesso de gordura.
4Entre 40% e 70% da variação do peso tem origem genética, principalmente por meio da fome e da saciedade.
5O corpo defende o peso: depois de emagrecer, a fome sobe e o gasto cai, e isso pode durar anos.
6Ultraprocessados, sono curto, estresse e sedentarismo apertaram o gatilho da predisposição genética.
7Corticoides, alguns antidepressivos e antipsicóticos, insulina e sulfonilureias podem causar ganho de peso.
8Hipotireoidismo, SOP, menopausa e Cushing entram na avaliação, mas raramente explicam a obesidade sozinhos.

Erros Comuns

achar que obesidade é falta de disciplina
A obesidade dobrou no Brasil em menos de vinte anos. Nenhuma população perde a força de vontade nessa velocidade; o que mudou foi o ambiente.
usar só o IMC para se avaliar
O IMC não distingue gordura de músculo nem diz onde ela está. Se a cintura passa da metade da altura, o risco já está aumentado, mesmo com IMC "normal".
esperar que seja "só hormônio"
Hipotireoidismo e outras doenças endócrinas devem ser investigados, mas explicam uma parte pequena do peso na maioria das pessoas.
fazer dietas muito restritivas por conta própria
Restrição severa aumenta a fome, reduz o músculo e ensina o corpo a recuperar peso. Cada ciclo de sanfona deixa a próxima tentativa mais difícil.
adiar a avaliação até "conseguir emagrecer sozinho"
Quanto mais tempo a gordura visceral e a gordura no fígado agem, maior o dano. Buscar ajuda cedo, ainda na fase pré-clínica, é o que mais muda o prognóstico.

Perguntas Frequentes

  • A obesidade é uma doença ou é só excesso de peso?

    É uma doença crônica, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde e pelas sociedades médicas brasileiras. O que a define é o excesso de gordura corporal que prejudica ou ameaça a saúde, não o número na balança. A definição de 2025 distingue obesidade clínica (já há dano em órgãos) de pré-clínica (ainda não há).

  • A obesidade é genética? Posso ter herdado dos meus pais?

    Em boa parte, sim. Estudos com gêmeos estimam que entre 40% e 70% da variação do peso tem origem genética, por centenas de pequenas variações que aumentam a fome e atrasam a saciedade. A predisposição não é sentença: o ambiente pode ser modificado.

  • A partir de quantos quilos uma pessoa é considerada obesa?

    Depende da altura. Pelo IMC, o peso dividido pela altura ao quadrado, obesidade começa em 30 kg/m²: para 1,70 m, cerca de 87 kg. Mas o IMC sozinho não basta; hoje se recomenda confirmar o excesso de gordura com a cintura, a relação cintura-altura ou a composição corporal.

  • Problema de tireoide pode causar obesidade?

    O hipotireoidismo reduz o gasto de energia e retém líquido, mas o ganho de peso que ele provoca é modesto, geralmente entre dois e cinco quilos, e parte disso é água. Deve ser tratado, mas quase nunca é a única explicação. Com TSH normal, a tireoide não é a causa do peso.

  • Por que eu sempre recupero o peso que perdi?

    Porque o corpo defende o peso que considera normal. Depois de emagrecer, a leptina cai, a grelina sobe, a fome aumenta e o gasto diminui, e esses ajustes podem durar anos. Não é falta de disciplina: é fisiologia. Por isso o tratamento precisa ser contínuo e, quando indicado, contar com apoio medicamentoso.

  • Quais remédios podem engordar?

    Os mais comuns são corticoides em uso prolongado, alguns antidepressivos (mirtazapina, paroxetina, amitriptilina), alguns antipsicóticos (olanzapina, quetiapina), lítio, valproato, insulina e sulfonilureias no diabetes. Nunca interrompa um remédio por conta própria: leve a lista à consulta, porque muitas vezes existe alternativa.

  • A obesidade pode causar pressão alta, falta de ar e infarto?

    Sim. A gordura visceral aumenta a pressão, piora o colesterol e os triglicérides e favorece a apneia do sono, e tudo isso eleva o risco de infarto e AVC. A falta de ar aos esforços é um sinal de obesidade clínica. Uma perda de 5% a 10% do peso já reduz a pressão e alivia a respiração.

  • Quando devo procurar um endocrinologista por causa do peso?

    Quando o peso sobe de forma progressiva, a cintura passa da metade da altura, já houve várias dietas com reganho, aparecem alterações de glicose, colesterol, pressão ou fígado, há ronco e sono durante o dia, um remédio novo fez o peso disparar ou existe compulsão alimentar.

Cuide da sua saúde com orientação individual

Agendar consulta presencial
Instituto Aster (Campo Belo) · Hospital Israelita Albert Einstein (Perdizes), São Paulo
Consulta por telemedicina
Para quem está em outra cidade ou prefere atendimento remoto, quando apropriado
Dr. Rodrigo Bomeny
Escrito pelo Dr. Rodrigo Bomeny
Endocrinologista e metabologista · FMUSP / HC-USP · ~20 anos de prática clínica
CRM-SP 129869 · RQE 60562 · Conteúdo educativo atualizado em 20 de outubro de 2026. Não substitui avaliação individual.
Referências
  1. Rubino F, Cummings DE, Eckel RH, et al. Definition and diagnostic criteria of clinical obesity. Lancet Diabetes Endocrinol. 2025;13(3):221-262. doi:10.1016/S2213-8587(24)00316-4.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2024: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília: Ministério da Saúde; 2026.
  3. World Health Organization. Obesity and overweight. Fact sheet. Geneva: WHO; 2026.
  4. World Obesity Federation. World Obesity Atlas 2025. London: World Obesity Federation; 2025.
  5. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). Diretrizes Brasileiras de Obesidade. Edição atual.
  6. Loos RJF, Yeo GSH. The genetics of obesity: from discovery to biology. Nat Rev Genet. 2022;23(2):120-133. doi:10.1038/s41576-021-00414-z.
  7. Sumithran P, Prendergast LA, Delbridge E, et al. Long-term persistence of hormonal adaptations to weight loss. N Engl J Med. 2011;365(17):1597-1604. doi:10.1056/NEJMoa1105816.
  8. Polidori D, Sanghvi A, Seeley RJ, Hall KD. How Strongly Does Appetite Counter Weight Loss? Quantification of the Feedback Control of Human Energy Intake. Obesity (Silver Spring). 2016;24(11):2289-2295. doi:10.1002/oby.21653.
  9. Lauby-Secretan B, Scoccianti C, Loomis D, et al. Body Fatness and Cancer — Viewpoint of the IARC Working Group. N Engl J Med. 2016;375(8):794-798. doi:10.1056/NEJMsr1606602.

Agende sua consulta com endocrinologista para tratar diabetes, obesidade e alterações hormonais.

O que os pacientes dizem

Ênio OPINIÃO VERIFICADA

07/10/2026

★★★★★

Procurei o Dr. Rodrigo por testosterona baixa, cansaço e redução da libido. Após a investigação e o tratamento, percebi uma melhora importante na disposição, libido e bem-estar. Também gostei porque ele não tratou apenas um número no exame, mas avaliou o quadro como um todo.

Fonte: doctoralia.com.br

Cida OPINIÃO VERIFICADA

01/10/2026

★★★★★

Cheguei à consulta com muitos sintomas da menopausa e bastante insegurança sobre reposição hormonal. Com o tratamento, meu sono melhorou, as ondas de calor diminuíram e voltei a ter mais disposição no dia a dia. Gostei muito da forma como tudo foi explicado.

Fonte: doctoralia.com.br

Janice OPINIÃO VERIFICADA

30/09/2026

★★★★★

Procurei atendimento por causa dos sintomas da menopausa, principalmente ondas de calor, sono ruim e falta de disposição. Depois do tratamento, tive uma melhora muito significativa desses sintomas. O Dr. Rodrigo explicou com bastante cuidado os benefícios, riscos e acompanhamento da reposição hormonal.

Fonte: doctoralia.com.br

Michelle Garcia OPINIÃO VERIFICADA

28/09/2026

★★★★★

Tenho diabetes há alguns anos e nunca tinha entendido tão bem meus exames. Depois de iniciar o acompanhamento, meus resultados melhoraram bastante e consegui organizar melhor minha alimentação e medicações. Além dos números, também percebi melhora no cansaço e na disposição.

Fonte: doctoralia.com.br

Manuel OPINIÃO VERIFICADA

26/09/2026

★★★★★

Procurei o Dr. Rodrigo para tratar meu diabetes tipo 2 e tive uma ótima evolução. Minha glicemia e hemoglobina glicada melhoraram, consegui perder peso e hoje me sinto com mais disposição. Gostei muito porque ele explicou o tratamento de forma clara e acompanhou cada etapa.

Fonte: doctoralia.com.br

Rosana Pimentel OPINIÃO VERIFICADA

20/09/2026

★★★★★

Estou tendo uma ótima experiência no tratamento do diabetes tipo 2. As consultas são detalhadas, as orientações são claras e o acompanhamento é feito de maneira cuidadosa. Recomendo pela competência, atenção e forma respeitosa de tratar o paciente.

Fonte: doctoralia.com.br

Lisa OPINIÃO VERIFICADA

15/09/2026

★★★★★

Médico muito humano e paciente. Escutou minhas dificuldades, analisou meus exames detalhadamente e não teve pressa durante a consulta. Senti que minhas dúvidas foram realmente levadas em consideração.

Fonte: doctoralia.com.br

Ervino Almeida OPINIÃO VERIFICADA

13/09/2026

★★★★★

Cheguei à consulta desanimado com o diabetes, mas saí me sentindo muito mais motivado. O Dr. Rodrigo explicou que existem várias formas de melhorar o controle da doença e apresentou um plano bem organizado. Isso me deu esperança e confiança no tratamento.

Fonte: doctoralia.com.br

Ilacir OPINIÃO VERIFICADA

08/09/2026

★★★★★

Recebi orientações práticas e possíveis de seguir, sem dietas impossíveis ou cobranças exageradas. Aos poucos, consegui melhorar minha alimentação e minha atividade física. O Dr. Rodrigo tem uma abordagem realista e respeitosa.

Fonte: doctoralia.com.br

Ro OPINIÃO VERIFICADA

31/08/2026

★★★★★

O que mais gostei foi que ele não olhou apenas para a glicose. Também avaliou meu peso, pressão, colesterol, sono, alimentação e risco cardiovascular. Foi uma consulta muito completa e um tratamento realmente voltado para a saúde como um todo.

Fonte: doctoralia.com.br

Renato Antunes OPINIÃO VERIFICADA

26/08/2026

★★★★★

O Dr. Rodrigo transmite muita segurança e demonstra grande conhecimento sobre diabetes tipo 2. Explicou os benefícios e os possíveis efeitos colaterais das medicações, além de responder todas as minhas dúvidas com calma.

Fonte: doctoralia.com.br

Jelson Lino OPINIÃO VERIFICADA

22/08/2026

★★★★★

Estou muito satisfeito com o acompanhamento. Minha glicemia e minha hemoglobina glicada melhoraram bastante, e hoje entendo melhor como controlar o diabetes no dia a dia. O Dr. Rodrigo acompanha os resultados com cuidado e explica cada mudança no tratamento.

Fonte: doctoralia.com.br

Renildo dos santos OPINIÃO VERIFICADA

18/08/2026

★★★★★

Excelente médico. Durante a consulta, ouviu tudo com muita atenção e sem julgamentos. O tratamento do diabetes pode ser cansativo, mas me senti acolhido e mais confiante para cuidar da minha saúde.

Fonte: doctoralia.com.br

Viviane OPINIÃO VERIFICADA

09/08/2026

★★★★★

Gostei muito do fato de o tratamento ter sido pensado de acordo com a minha rotina e as minhas dificuldades. Não recebi apenas uma orientação genérica. O Dr. Rodrigo procurou entender minha alimentação, meus horários e meus exames antes de definir a melhor estratégia.

Fonte: doctoralia.com.br

Maristela OPINIÃO VERIFICADA

05/08/2026

★★★★★

O Dr. Rodrigo explica o diabetes tipo 2 de uma forma muito clara e fácil de entender. Pela primeira vez consegui compreender melhor o que estava acontecendo com meu organismo e o motivo de cada orientação. É um médico muito didático e atencioso.

Fonte: doctoralia.com.br

Alessandra OPINIÃO VERIFICADA

30/07/2026

★★★★★

Dr. Rodrigo é excelente! Atencioso, competente e humano.

Fonte: doctoralia.com.br

Pedro OPINIÃO VERIFICADA

28/07/2026

★★★★★

Excelente comunicação e atenção aos detalhes. Me senti seguro durante toda a consulta

Fonte: doctoralia.com.br

Manuel OPINIÃO VERIFICADA

28/07/2026

★★★★★

Muito competente e humano. Fez com que eu me sentisse ouvido e bem orientado.

Fonte: doctoralia.com.br

Ana Clara OPINIÃO VERIFICADA

26/07/2026

★★★★★

Excelente experiência. O atendimento remoto foi tão bom quanto uma consulta presencial.

Fonte: doctoralia.com.br

Angelica Cristina de Sousa OPINIÃO VERIFICADA

22/07/2026

★★★★★

Além de muito atencioso, passa tranquilidade durante todo o atendimento .vale a recomendação!

Fonte: doctoralia.com.br

Josué OPINIÃO VERIFICADA

21/07/2026

★★★★★

Ótimo profissional. Escutou com atenção, fez perguntas importantes e orientou de forma clara.

Fonte: doctoralia.com.br

Carla OPINIÃO VERIFICADA

16/07/2026

★★★★★

Médico muito educado, cordial e atualizado. A experiência no teleatendimento foi excelente.

Fonte: doctoralia.com.br

Carolina Lemos OPINIÃO VERIFICADA

13/07/2026

★★★★★

Consulta objetiva, completa e muito bem conduzida. Recomendo sem hesitar.

Fonte: doctoralia.com.br

Margarete OPINIÃO VERIFICADA

08/07/2026

★★★★★

Muito satisfeita com o atendimento. Foi paciente, esclareceu todas as dúvidas e indicou o melhor tratamento.

Fonte: doctoralia.com.br

Jaque OPINIÃO VERIFICADA

05/07/2026

★★★★★

Profissional excepcional. Mesmo por teleconsulta, transmitiu segurança e acolhimento.

Fonte: doctoralia.com.br

Barbara OPINIÃO VERIFICADA

01/07/2026

★★★★★

Atendimento de alta qualidade. Explicou tudo com calma e demonstrou muita empatia.

Fonte: doctoralia.com.br

Claudia OPINIÃO VERIFICADA

29/06/2026

★★★★★

Excelente médico! Muito atencioso, competente e pontual. A consulta online foi excelente.

Fonte: doctoralia.com.br

Helena OPINIÃO VERIFICADA

26/06/2026

★★★★★

Competente, acolhedor e atento aos detalhes. ameiii

Fonte: doctoralia.com.br

Cahh OPINIÃO VERIFICADA

22/06/2026

★★★★★

Super recomendo. Explica cada etapa do tratamento de forma simples e transmite tranquilidade.

Fonte: doctoralia.com.br

Vanessa Brito OPINIÃO VERIFICADA

16/06/2026

★★★★★

Ótimo médico! Atendimento humanizado, pontual e muito eficiente no acompanhamento metabólico e hormonal.

Fonte: doctoralia.com.br

Bia OPINIÃO VERIFICADA

14/06/2026

★★★★★

Muito profissional e empático. Passa segurança e demonstra grande conhecimento na área de endocrinologia.

Fonte: doctoralia.com.br

Daniel OPINIÃO VERIFICADA

10/06/2026

★★★★★

Endocrinologista de confiança, dedicado e muito claro nas orientações. Recomendo especialmente para quem busca controle do diabetes.

Fonte: doctoralia.com.br

Pamela OPINIÃO VERIFICADA

05/06/2026

★★★★★

Excelente experiência. O acompanhamento hormonal na menopausa melhorou muito minha qualidade de vida.

Fonte: doctoralia.com.br

Flavia OPINIÃO VERIFICADA

30/05/2026

★★★★★

Atendimento impecável. Escuta com atenção, pede exames detalhados e monta um tratamento realmente individualizado.

Fonte: doctoralia.com.br

Vanilda OPINIÃO VERIFICADA

24/05/2026

★★★★★

Médico atualizado, cuidadoso e muito paciente para tirar dúvidas. Tratamento do diabetes conduzido com segurança e eficiência.

Fonte: doctoralia.com.br

Lucineia OPINIÃO VERIFICADA

16/05/2026

★★★★★

Profissional extremamente competente e humano. Me senti acolhida durante todo o acompanhamento da menopausa.

Fonte: doctoralia.com.br

Claudio OPINIÃO VERIFICADA

12/05/2026

★★★★★

Excelente endocrinologista: muito atencioso, explica tudo com clareza e acompanha o tratamento de perto. Fez toda diferença no controle do diabetes

Fonte: doctoralia.com.br

Adriana Finladia OPINIÃO VERIFICADA

11/05/2026

★★★★★

Estava na menopausa, engordando sem parar e com uma fadiga que não passava. O Dr. Rodrigo Bomeny, conectou tudo: hormônios, metabolismo e composição corporal. O tratamento integrado fez eu me sentir bem de novo. Equipe excelente e ambiente muito agradável.

Fonte: doctoralia.com.br

Beatriz Ferreira OPINIÃO VERIFICADA

09/05/2026

★★★★★

Procurei o Dr. Rodrigo Bomeny depois de anos sem conseguir controlar meu diabetes tipo 2. Como endocrinologista, ele explicou cada exame, ajustou minha medicação com calma e em três meses minha hemoglobina glicada caiu de forma significativa. Consultório organizado, equipe atenciosa. Recomendo de olhos fechados.

Fonte: doctoralia.com.br

Adriana Mendonça OPINIÃO VERIFICADA

09/05/2026

★★★★★

Cheguei no consultório do Dr. Rodrigo Bomeny com mais de 30 kg acima do peso e sem esperança. Ele é um endocrinologista que realmente escuta, monta um plano realista e acompanha de perto. Já perdi 18 kg e meus exames nunca estiveram tão bons. Gratidão enorme.

Fonte: doctoralia.com.br

Fabiana Chaves Rocha Queiroz OPINIÃO VERIFICADA

12/02/2026

★★★★★

Falar do Dr. Rodrigo é falar de um profissional que eleva o padrão da medicina. Ele é extremamente competente e estudioso. E tem um grande diferencial que é o lado humano e acolhedor. Ele entende profundamente como as nossas emoções impactam o tratamento, não enxergando apenas a doença ou os sintomas, mas o paciente como um ser humano completo. O Dr. Rodrigo vai muito além de suas obrigações médicas: ele incentiva, acompanha cada resultado de perto e busca estratégias personalizadas que se encaixam na minha realidade. Sinto que ele está sempre disposto a viabilizar o que for preciso para minha saúde e bem-estar. Confio 100% em sua conduta e posso dizer que não sei o que seria da minha saúde sem os seus cuidados e direcionamentos.

Fonte: doctoralia.com.br

Opiniões de pacientes reproduzidas do site doctoralia.com.br, publicadas em 2026.