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Diabetes: como é feito o diagnóstico?

O diabetes é um conjunto de doenças metabólicas caracterizadas pela hiperglicemia, ou seja, o excesso de glicose (açúcar) no sangue. Essa condição, se não diagnosticada e tratada precocemente, pode trazer complicações cardiovasculares, renais, oculares e neurológicas.

Um ponto essencial: a maioria das pessoas não apresenta sintomas no momento do diagnóstico. Muitas vezes, o diabetes é descoberto em exames de rotina. Por isso, o rastreamento laboratorial é indispensável em pessoas com fatores de risco.

Quais exames são utilizados no diagnóstico do diabetes?

O diagnóstico deve ser baseado em exames laboratoriais confiáveis, preferencialmente repetidos em dias diferentes para confirmação. Os principais são:

  • Glicemia de jejum
  • Hemoglobina glicada (HbA1c)
  • Teste oral de tolerância à glicose (TOTG) com 75 g de glicose – incluindo a leitura de 1 hora (novidade das Diretrizes SBD 2025)
  • Glicemia casual (aleatória)

Em casos específicos, podem ser solicitados exames complementares, como peptídeo C, autoanticorpos e frutosamina.

Critérios diagnósticos do diabetes (ADA/SBD 2025)

Um dos exames abaixo, se alterado em duas ocasiões distintas, confirma o diagnóstico de diabetes (dispensável em casos de sintomas clássicos):

  • Glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL
  • Glicemia 2h após TOTG ≥ 200 mg/dL
  • Glicemia casual ≥ 200 mg/dL associada a sintomas típicos
  • Hemoglobina glicada (HbA1c) ≥ 6,5%

TOTG com leitura de 1 hora

O TOTG com leitura de 1 hora passou a ser incorporado nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2025:

  • Normal: < 155 mg/dL
  • Pré-diabetes: 155–208 mg/dL
  • Diabetes: ≥ 209 mg/dL

Esse teste é considerado mais sensível e permite identificar alterações metabólicas mais cedo.

Valores de referência para HbA1c e glicemia de jejum

Hemoglobina glicada (HbA1c)

  • Normal: < 5,7%
  • Pré-diabetes: 5,7% a 6,4%
  • Diabetes: ≥ 6,5%

Glicemia de jejum

  • Normal: < 100 mg/dL
  • Pré-diabetes: 100–125 mg/dL
  • Diabetes: ≥ 126 mg/dL

Pré-diabetes: o alerta precoce

O pré-diabetes é um estágio intermediário em que os níveis de glicose estão acima do normal, mas ainda não configuram diabetes. Ele indica alto risco de progressão e precisa ser levado a sério:

  • Glicemia de jejum: 100–125 mg/dL
  • Glicemia 2h após TOTG: 140–199 mg/dL
  • HbA1c: 5,7–6,4%

Mesmo nessa fase, já há maior risco de complicações cardiovasculares. Mudanças no estilo de vida (alimentação, exercícios, sono e manejo do estresse) podem reverter o quadro.

Quem deve fazer rastreamento para diabetes?

  • Todas as pessoas a partir dos 35 anos, mesmo assintomáticas.
  • Antes dos 35 anos, se houver sobrepeso ou obesidade associados a fatores de risco, como:
    • História familiar de diabetes tipo 2
    • Hipertensão arterial
    • Alterações de colesterol e triglicerídeos
    • Síndrome dos ovários policísticos (SOP)
    • Doença cardiovascular
    • Acantose nigricans (manchas escuras na pele)

Questionários como o FINDRISC ajudam a estimar o risco de desenvolver diabetes tipo 2 nos próximos 10 anos.

E quanto ao diabetes tipo 1 e o diabetes gestacional?

Diabetes tipo 1

Suspeitar em pessoas jovens, magras, com sintomas intensos e rápida evolução. Exames: autoanticorpos (GAD, IA2, ZnT8) e peptídeo C.

Diabetes gestacional

Diagnosticado entre a 24ª e 28ª semana da gestação, através do TOTG 75 g. Critérios:

  • Jejum ≥ 92 mg/dL
  • 1h ≥ 180 mg/dL
  • 2h ≥ 153 mg/dL

👉 Basta um valor alterado para confirmar o diagnóstico.

Diagnóstico: o começo de uma nova jornada

Receber o diagnóstico de diabetes pode gerar medo, negação e ansiedade. Mas é importante lembrar: saber é o primeiro passo para mudar o estilo de vida. Quanto antes a condição for detectada, maiores as chances de controle e até de remissão em casos de diabetes tipo 2 inicial.

Conclusão

O diagnóstico do diabetes vai além de um simples número. Ele deve ser baseado em exames confiáveis, repetidos e interpretados dentro do contexto clínico. A detecção precoce permite intervenção rápida, prevenindo complicações e transformando o futuro da saúde do paciente.

👉 Converse com seu endocrinologista, faça seus exames e cuide do seu metabolismo. Informação é um dos melhores remédios contra o diabetes.

Links úteis

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