Como devo guardar as insulinas?
Guardar a insulina do jeito certo ajuda a manter o efeito do medicamento e evita perda de potência por calor, congelamento ou variações de temperatura.
1) Insulinas lacradas (ainda não estão em uso)
As insulinas lacradas (frascos, refis para canetas e canetas descartáveis lacradas) devem ser armazenadas na geladeira, em temperatura entre 2 e 8°C.
Onde colocar na geladeira
O local recomendado é a prateleira acima da gaveta de vegetais.
O que evitar
- Prateleiras e gavetas próximas ao freezer: podem expor a insulina a temperaturas inferiores a 2°C, ocasionando congelamento e perda de efeito.
- Porta da geladeira: não é indicada. As aberturas constantes causam movimentação do frasco e variação de temperatura, podendo danificar a insulina.
2) Insulinas em uso (abertas)
As insulinas em uso (abertas) podem ser mantidas:
- na geladeira (2 a 8°C)
ou - em temperatura ambiente (15 a 30°C), em local fresco, ao abrigo da luz e de oscilações bruscas de temperatura.
Se você guardar na geladeira:
Retire a insulina com 30 minutos de antecedência da aplicação, para evitar desconforto e irritação no local.
3) Prazo fora da geladeira depois de aberta
Depois de aberta, a insulina pode ser deixada em temperatura ambiente (menor do que 30°C) por 30 dias, com exceção da detemir (Levemir), que pode ficar em temperatura ambiente por até 42 dias.
4) Canetas: recarregável x descartável
- Caneta recarregável: os fabricantes não recomendam guardar em geladeira, porque pode danificar o mecanismo interno e, em alguns casos, interferir no registro da dose correta. Deve ser mantida em temperatura ambiente.
- Canetas descartáveis: podem ser armazenadas tanto em geladeira quanto em temperatura ambiente.
5) Validade
A data de validade a ser considerada é a que está impressa na embalagem.
Diabetes – Tipos de insulina
A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que permite que a glicose entre nas células e seja transformada em energia. No diabetes, pode haver deficiência na produção e/ou na ação da insulina (resistência à insulina). Em algumas situações, o uso de insulina no tratamento do diabetes é necessário.
Hoje, praticamente todas as insulinas são produzidas em laboratório (a insulina de origem animal para uso humano é rara). Para tentar imitar a liberação “fisiológica” do pâncreas, foram desenvolvidos diferentes tipos de insulina.
Essas insulinas variam de acordo com:
- Início de ação (quanto tempo leva para começar a baixar a glicose)
- Pico de ação (quando o efeito é máximo)
- Duração (por quanto tempo mantém o efeito)
Além disso, elas podem ser fabricadas em diferentes concentrações. A mais comum é U-100 (100 unidades por mL). Existe também a U-500, usada em situações específicas, geralmente em pessoas com resistência à insulina importante e necessidade de doses elevadas.
Entendendo como a insulina funciona, fica mais fácil planejar refeições, lanches e exercícios — e perceber por que horário e dose fazem diferença no controle glicêmico.
Principais tipos (com exemplos)
As insulinas mais modernas, chamadas de análogas, são baseadas na insulina humana e modificadas para terem ação ultrarrápida ou mais prolongada.
1) Ultrarrápidas (análogos ultrarrápidos)
Nomes: Lispro (Humalog®), Aspart (NovoRapid®), Glulisina (Apidra®)
Início: 5–15 min • Pico: ~45–75 min • Duração: 3–5 h
2) Rápida (insulina humana Regular)
Nomes: Humulin R®, Novolin R® (varia por país/linha)
Início: 30–60 min • Pico: 2–4 h • Duração: 6–8 h
3) Intermediária (NPH – humana)
Nomes: Humulin N®, Novolin N®
Início: 1–3 h • Pico: 4–8 h (muitas fontes citam 4–12 h) • Duração: até ~18 h (podendo chegar a ~24 h em alguns casos)
4) Longa duração (análogos “basais”)
Nomes: Glargina (Lantus®), Detemir (Levemir®), Degludeca (Tresiba®)
Em geral, têm pouco ou nenhum pico e efeito mais estável.
- Glargina (U-100): duração ~24 h
- Detemir: duração ~14–24 h
- Degludeca: duração > 40 h
Apresentações e formas de uso
As insulinas podem vir em frascos (geralmente 10 mL, para seringa), refis (geralmente 3 mL, para caneta reutilizável) e canetas descartáveis.
Outra forma de administração é a bomba de insulina.
Também existem pré-misturas, como:
- NPH + Regular (por exemplo, 70/30)
- Análogos de ação prolongada + análogos de ação rápida (ex.: Mix 25/50, Novomix® 30)
Insulina inalatória
A Afrezza (insulina humana inalatória, ação rápida) foi aprovada nos EUA para uso antes das refeições em adultos com diabetes tipo 1 ou tipo 2, não substituindo a insulina basal (longa duração).
Insulinas mais concentradas (exemplos)
Nos últimos anos, surgiram versões em maior concentração, como:
- Glargina U-300 (Toujeo®) — aprovada no Brasil (registro e bulas disponíveis em consulta pública).
- Lispro U-200 (Humalog® U-200) — disponível em apresentações específicas (ex.: caneta).
Na consulta com o endocrinologista, tire suas dúvidas e alinhe o esquema ideal para sua rotina. A informação é um “remédio” importante no tratamento do diabetes.
Seringas de insulina
A aplicação de doses erradas é uma causa frequente de descontrole do diabetes. Conhecer como funciona a sua seringa é um passo importante para evitar isso.
Quais seringas existem?
As seringas próprias para insulina podem ser encontradas em farmácias e postos de saúde. Elas têm capacidades diferentes:
- 30 U
- 50 U
- 100 U
E cada uma pode ter uma graduação (marcação) diferente:
- Seringa de 100 U: geralmente graduada de 2 em 2 unidades
- Seringa de 50 U: geralmente graduada de 1 em 1 unidade
- Seringa de 30 U: pode ser graduada de 1 em 1 unidade ou de 0,5 em 0,5 unidade
Ou seja:
- graduação 2 em 2 → cada traço = 2 unidades
- graduação 1 em 1 → cada traço = 1 unidade
- graduação 0,5 em 0,5 → cada traço = 0,5 unidade
Agulhas
As seringas costumam vir com agulhas fixas. O uso de agulha removível não costuma ter justificativa para aplicação de insulina no dia a dia.
Em geral, o uso de agulhas menores (como 6 mm e 8 mm) é o mais recomendado, independentemente do peso — desde que a técnica esteja correta.
